PF prende delator da Lava Jato em operação contra tráfico de drogas

Cerca de 90 agentes cumpriram 26 ordens judiciais no Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e São Paulo

Polícia Federal. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A PF (Polícia Federal) prendeu na manhã desta terça-feira (15) o doleiro Carlos Alexandre, mais conhecido como Ceará, delator da Lava Jato, durante operação contra lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Outras sete pessoas também foram presas.

“Quanto ao operador financeiro (“doleiro”) já investigado da Operação Lava Jato, chama atenção o fato de ter retornando às suas atividades ilegais mesmo tendo firmado acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República e posteriormente homologado pelo Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria Geral da República e Supremo Tribunal Federal serão comunicados sobre a prisão do réu colaborador para avaliação quanto a ‘quebra’ do acordo firmado”, afirma a PF por meio de nota.

A PF também identificou a “atuação concreta e direta” de outro doleiro, conhecido da Operação Farol da Colina (Caso Banestado). A pasta desarticulou uma enorme estrutura estabelecida para o tráfico internacional de drogas — comandada por Luiz Carlos da Rocha, também conhecido como “Cabeça Branca”, sendo um dos maiores traficantes de entorpecentes da América do Sul com conexões em dezenas de países.

As investigações demonstram indícios acerca do modus operandi da organização criminosa, consistente na convergência de interesses das atividades ilícitas dos “clientes dos doleiros” investigados, pois de um lado havia a necessidade de disponibilidade de grande volume de reais em espécie para o pagamento de propinas e, de outro, traficantes internacionais como Luiz Rocha possuíam disponibilidade de recursos em moeda nacional e necessitavam de dólares para efetuar as transações internacionais com fornecedores de cocaína.

Cerca de 90 policiais federais cumpriram 26 ordens judiciais, sendo 18 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de prisão preventiva e três mandados de prisão temporária no Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além do Distrito Federal.

A denominação Efeito Dominó é uma alusão ao fato de existir um efeito em cascata no tráfico internacional de entorpecentes pois, por se tratar de crime que visa lucro, o dinheiro ilícito amealhado, especialmente no vultoso volume identificado nesta operação, necessita de forte estrutura de lavagem de dinheiro, consistente na movimentação de recursos em espécie no país com a intervenção de operadores financeiros (“doleiros”). A referência também se baseia na identificação dos procedimentos sobrepostos de lavagem de dinheiro identificados, sempre com o objetivo de ocultar a origem e o real beneficiário dos recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.