A investigação do acidente com o ônibus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que deixou sete mortos e 26 feridos em Imigrante, no Vale do Taquari, seguirá sob responsabilidade da Polícia Civil (PC) do Rio Grande do Sul. A informação foi confirmada pelo delegado José Romaci Reis, titular da Delegacia de Teutônia e responsável pelo caso.
Na sexta-feira, Reis chegou a cogitar a possibilidade de que o caso, por envolver um bem federal, pudesse ser passado à Polícia Federal. “Analisamos a situação e se trata de crime comum, que diz respeito apenas à investigação do acidente. Assim, o caso não vai para a PF, ficará conosco”, explicou o delegado. Ele também afirmou que possíveis ações por danos patrimoniais ou de outra natureza podem originar outras investigações, mas o inquérito principal permanecerá com a Polícia Civil.
No início da tarde deste sábado, Reis aguardava no local do acidente a remoção do ônibus. “Foi muito difícil conseguir um guincho. O que conseguimos será custeado pela universidade, porque o Detran não tem nenhum credenciado com essa capacidade. É preciso muita potência, tem que ser grande”, relatou.
O motorista do ônibus, que recebeu alta no início da tarde, será ouvido formalmente ainda hoje. Segundo o delegado, ele já prestou um relato informal sobre o que teria acontecido. “Disse que, quando pegou o veículo, os freios já estavam com problemas, mas ele não percebeu nada durante o trajeto. Somente na descida, quando precisou usar, os freios começaram a falhar até que pararam totalmente. Com isso, o ônibus ganhou velocidade e ele não conseguiu frear. Viu aquela área como um escape e direcionou o veículo para tentar parar, mas não sabia que, ao fundo, havia aquele barranco”, contou.
O ônibus possui tacógrafo, mas a equipe de perícia ainda não conseguiu acessar o equipamento. “Não sabemos se estava com disco. A área está muito amassada. A perícia só deve conseguir verificar isso após a retirada completa do veículo”, afirmou Reis.
Até o momento, apenas um diretor da universidade foi ouvido oficialmente. As vítimas ainda não prestaram depoimento, pois estão internadas ou já foram transferidas para Santa Maria. Os depoimentos serão colhidos posteriormente.