A Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e com Altas Habilidades no Rio Grande do Sul (Faders), instituição vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) divulgou os resultados da pesquisa “Características da População com Autismo no Rio Grande do Sul”.
A análise dos dados, obtidos por meio das solicitações da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), entre junho de 2021 e janeiro de 2025, revelou que foram registradas 36.430 solicitações de Ciptea, das quais 33.169 foram aceitas, abrangendo 485 municípios do Rio Grande do Sul. Um incremento de 11.962 Cipteas e de 20 municípios em relação a 2024. As principais razões para o indeferimento de solicitações foram a apresentação de laudo não emitido por médicos e de documentos cujo diagnóstico informado não corresponde ao transtorno.
“Os dados nos permitem entender as necessidades e desafios da população com autismo no Rio Grande do Sul. Ter essa visualização do panorama é fundamental para a elaboração de políticas públicas assertivas”, disse o secretário em exercício da Sedes, Gustavo Saldanha.
Maior incidência no sexo masculino
A pesquisa revelou uma distribuição demográfica variada, com uma predominância masculina significativa, correspondendo a 72% dos casos.
A identificação precoce do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), com 46% dos diagnósticos ocorrendo até os 3 anos e 11 meses, ressalta a importância das intervenções iniciais. Além disso, o levantamento destacou a coexistência de mais de uma pessoa com TEA na mesma família em 33,31% dos casos, sublinhando a complexidade das necessidades deste grupo.
Trabalho e educação
De acordo com os dados, 41% dos adultos com TEA estão empregados. Na educação, a pesquisa aponta que 95% dos jovens de 6 a 17 anos estão matriculados na escola.
Maioria das Cipteas encontram-se nos municípios mais populosos
A análise regionalizada é fundamental para avaliação da política pública e verificação dos recursos disponibilizados em cada região atendendo às necessidades dos municípios mais populosos e dos menos populosos.
O presidente da Faders, Marquinho Lang, destacou a importância da pesquisa e do Ciptômetro (ferramenta com número de Cipteas por município disponibilizada no site da Faders). “Ambos os dados se mostram essenciais para que os gestores públicos possam planejar e avaliar o impacto de campanhas de divulgação sobre o autismo, Ciptea e atuação da rede de apoio na efetividade das estratégias adotadas em diferentes regiões”, enfatizou.
Em termos proporcionais em relação ao número de Cipteas e população dos municípios, a cidade que apresenta maior número de carteiras é Capivari do Sul (0,75%), seguida por Rio Grande (0,65%) e Alto Alegre (0,61%).
Desafios e complexidades
A maior parte da população com autismo no Rio Grande do Sul encontra-se nas faixas de renda mais baixas, sendo que 85% vivem com até 1,5 salário-mínimo nacional. Ao apresentar os dados, a coordenadora de Pesquisa da Faders, Aline Monteiro, ressaltou que, de 2024 para 2025, também houve redução no número de indivíduos cadastrados na Ciptea com plano de saúde.