Não faltará emoção para os investidores nesta quarta-feira, 2. Conforme a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, o dia será uma das datas mais marcantes da história moderna dos Estados Unidos pois o presidente norte-americano anunciará medida histórica para melhorar a competitividade daquele país. “Quem fabricar nos EUA, não pagará nenhuma tarifa”, afirmou a representante.
A perspectiva é que Trump anuncie tarifas recíprocas durante um evento no Rose Garden da Casa Branca “baseadas em países”. A promessa é de tarifas abrangentes que centralizam o seu plano para reequilibrar o comércio global, estimular a manufatura nos EUA e injetar receitas tarifárias nos cofres do governo para financiar prioridades domésticas, incluindo uma significativa redução de impostos. O presidente já havia imposto tarifas sobre o Canadá, México e China — os três maiores parceiros comerciais dos EUA — além de tarifas sobre automóveis e peças, aço e alumínio. Ele poderá anunciar também tarifas sobre importações de produtos farmacêuticos, semicondutores e madeira.
O governo brasileiro espera ser poupado do tarifaço. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que causará estranheza caso o Brasil sofra alguma retaliação comercial. “Causaria até certa estranheza se o Brasil sofresse algum tipo de retaliação injustificada, uma vez que nós estamos na mesa de negociação desde sempre com aquele país justamente para que a nossa cooperação seja cada vez mais forte”, disse o ministro.
O comércio bilateral é superavitário para os EUA uma vez que o Brasil importa mais do que exporta para o país norte-americano. Por isso, Haddad considera que não haveria motivos para taxação dos produtos brasileiros.
REAÇÃO
Conforme ocorreu na última semana, os investidores vão monitorar o tamanho das chamadas “tarifas recíprocas” recorrentemente prometidas pelo presidente norte-americano, sob o objetivo de colocar nas importações a reciprocidade tarifária que as exportações americanas sofrem em outros mercados. Indicativos apontam que a China, o Japão e a Coreia do Sul teriam concordado em articular uma resposta conjunta às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, segundo uma publicação feita na noite de segunda-feira, 31, por uma conta oficial ligada à emissora estatal chinesa CCTV. A declaração veio após a realização do primeiro diálogo econômico trilateral entre os três países em cinco anos, realizado em Tóquio no último domingo, 30.
Por aqui, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou um projeto de lei que estabelece critérios para a adoção de medidas de reciprocidade econômica em casos de barreiras comerciais a produtos brasileiros. A iniciativa busca proteger setores como o agronegócio de possíveis sobretaxas impostas por outros países, especialmente os Estados Unidos.
O projeto é de autoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), o PL vai para aprovação na Câmara dos Deputados. Ele define que o Brasil poderá suspender concessões comerciais, restringir investimentos e limitar direitos de propriedade intelectual. As ações de retaliação deverão ser proporcionais ao impacto econômico causado pelas barreiras comerciais impostas por outros países.
(*) com Agência Brasil