Alta no preço do ovo e do café pesa no bolso dos brasileiros em fevereiro, diz Neogrid

Ovos registraram o maior índice de falta de produtos nas gôndolas dos supermercados dos últimos 12 meses

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O Índice de Ruptura da Neogrid, indicador que mede a falta de produtos nas gôndolas dos supermercados de todo o Brasil, registrou retração em fevereiro na ruptura geral, que chegou a 12,7% – variação negativa de 1 ponto percentual em relação ao mês anterior. No monitoramento realizado com dados de alimentos que compõem o café da manhã dos brasileiros, a ferramenta identificou elevação no indicador de ruptura do ovo e do café, que ficaram mais caros no período.

“Observamos certa dificuldade dos varejistas na reposição desses itens tradicionais na refeição matinal dos brasileiros”, analisa Robson Munhoz, diretor de Relações Corporativas da Neogrid. “Por outro lado, mesmo diante do atual cenário de alta dos preços, as vendas médias gerais no varejo alimentar cresceram em fevereiro, impulsionadas pelo calendário sem feriados e pela forte demanda pré-Carnaval. O estoque foi reforçado, refletindo no recuo de rupturas, e as redes registraram alta de dois dígitos na comparação com janeiro – mês tradicionalmente impactado por gastos sazonais como material escolar e impostos.”

Evolução de preços

  • Ovos: de 19,7% para 21,6%;
  • Leite: de 9,9% para 12,1%;
  • Café: de 11,1% para 11%;

OVOS

A indisponibilidade dos ovos ampliou 1,9 ponto percentual, crescendo de 19,7% em janeiro para 21,6% em fevereiro. Nos preços, os ovos brancos tiveram o maior reajuste – alta de 18% – subindo de R$ 11,26 para R$ 13,30 no período. Os tipos vermelho e codorna em conserva também encareceram, passando de R$ 11,46 para R$ 13,35 e de R$ 8,63 para R$ 9,35, respectivamente. Por outro lado, as categorias caipira e codorna comum recuaram de R$ 15,15 para R$ 14,95 e de R$ 17,16 para R$ 15,98, nesta ordem. Em relação às vendas gerais, houve crescimento de 2,3% no mês ante janeiro.

Esse panorama ocorre em um momento de alta demanda internacional por ovos brasileiros, impulsionada principalmente pela crise de escassez nos Estados Unidos ocasionada por surtos de gripe aviária. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país importou, apenas do Brasil, 503 toneladas do produto em fevereiro – um crescimento de 93,4% sobre o mesmo período do ano anterior. A nova autorização norte-americana para a entrada de ovos brasileiros destinados ao consumo humano após processamento pode ter contribuído para esse incremento, tornando os EUA o segundo maior destino das exportações do Brasil desse item no mês.

LEITE

A indisponibilidade do leite subiu 1,9 ponto percentual em fevereiro, chegando a 12%. Quanto aos preços, todos os tipos monitorados retraíram, com destaque para o longa vida semidesnatado, que variou -4,4%, caindo de R$ 5,82 para R$ 5,56. Já o longa vida integral, sem lactose e desnatado saíram de R$ 5,95 para R$ 5,79, de R$ 6,93 para R$ 6,79 e de R$ 5,67 para R$ 5,62, respectivamente. A média de vendas totais do produto no período subiu cerca de 10%.

CAFÉ

A ruptura de algumas marcas e tipos de café manteve-se praticamente a mesma, atingindo 11% em fevereiro, o que representa um leve recuo de 0,1 ponto percentual sobre o mês anterior. No que se refere aos preços, o café em pó segue subindo: na lista do mês passado, a elevação foi de 7%, passando de R$ 23,48 para R$ 25,34. A versão em grãos, por sua vez, aumentou de R$ 44,46 para R$ 49,53.

PREÇO DO PÃO

Os dados de preço da Horus, marca Neogrid, também mostram  que em fevereiro o preço do pão francês no País retraiu timidamente, passando de R$ 14,86 para R$ 14,73 – uma variação de -0,8 ponto percentual ante o mês anterior. Já o pão de forma saiu de R$ 11,90 para R$ 11,92 (+0,1ponto percentual), quase mantendo a estabilidade.