O saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) manteve-se estável em janeiro, totalizando R$6,5 trilhões. Esse desempenho é resultado do incremento de 1,2% na carteira de crédito às pessoas físicas, saldo de R$4,0 trilhões, atenuado pela redução de 1,8% no saldo das pessoas jurídicas, que situou-se em R$2,5 trilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 13, pelo Banco Central.
Em 12 meses, o crédito do SFN assinalou maior ritmo de expansão, com crescimento de 11,7%, ante 11,5% no mês anterior. Por segmento, nas mesmas bases de comparação, os saldos de crédito às empresas e às famílias registraram aceleração, com avanços, na ordem, de 10,2% ante 9,9% e de 12,7% ante 12,5% .
O saldo das operações de crédito com recursos livres alcançou R$3,7 trilhões em janeiro, com diminuição de 0,5% no mês e incremento de 11,5% comparativamente ao mesmo período do ano anterior. O crédito livre para empresas somou R$1,5 trilhão, com recuo mensal de 3,2% e incremento de 9,7% em doze meses.
Esse resultado refletiu, em grande parte, a redução da carteira de desconto de duplicatas e outros recebíveis (-15,6%), após aumento sazonal ocorrido em dezembro, bem como os recuos nos estoques de capital de giro total (-1,0%), adiantamento de contratos de câmbio – ACC ( -2,4%), repasses externos (-6,8%) e antecipação de faturas de cartão de crédito (-2,6%).
CRÉDITO PARA FAMÍLIAS
O crédito livre às familias avançou 1,4% no mês e 12,7% comparativamente a janeiro do ano anterior, totalizando R$2,2 trilhões. Esse desempenho foi bastante disseminado entre suas principais modalidades, com destaque para crédito pessoal não consignado (2,6%), financiamento para aquisição de veículos (2,0%), crédito pessoal consignado para beneficiários do INSS (2,3%) e cartão de crédito rotativo (6,7%).
O saldo das operações de crédito com recursos direcionados totalizou R$2,7 trilhões, com altas de 0,9% no mês e de 12,1% sobre o mesmo período do ano anterior. Por segmento, o crédito direcionado às pessoas jurídicas avançou 0,6% no mês e 11,1% em 12 meses, somando R$901,7 bilhões, enquanto no crédito destinado às pessoas físicas atingiu R$1,8 trilhão, com aumentos de 1,0% e de 12,6%, na mesma ordem.
As concessões nominais de crédito do SFN somaram R$585,9 bilhões em janeiro. Nas séries com ajuste sazonal, as concessões avançaram 0,4% no mês, com diminuição de 0,1% nas operações contratadas por empresas e aumento de 1,6% nas pactuadas com famílias. Nos 12 meses acumulados até janeiro, as concessões nominais cresceram 15,2%, com elevações de 18,1% nas operações com pessoas jurídicas e de 13,1% nas destinadas às pessoas físicas. As concessões médias diárias em janeiro recuaram 19,9% em relação ao mês anterior, ressaltando-se a ocorrência de um dia útil a mais em janeiro, comparativamente a dezembro.
TAXA DE JUROS
A taxa média de juros das concessões alcançou 29,8% ao ano em janeiro, com elevações de 1,2 ponto percentual no mês e 1,7 ponto percentual em 12meses. Nas operações pactuadas com pessoas jurídicas, a taxa média de juros atingiu 21,4% ao ano, com elevações de 2,0 pontos percentuais no mês e de 1,7 ponto percentual em 12 meses. Na mesma ordem, as taxas médias de juros das operações contratadas com pessoas físicas registraram incrementos de 0,7 ponto percentual e 1,5 ponto percentual ., situando-se em 33,8% ao ano
O spread bancário, que mede a diferença entre as taxas médias de juros das operações de crédito e o custo de captação, alcançou 18,6 ponto percentual , com alta mensal de 0,9 ponto percentual e redução de 0,8 ponto percentual em 12 meses.
Nas operações livremente pactuadas, a taxa média de juros atingiu 42,3% a.a., assinalando elevações de 1,6 ponto percentual no mês e 2,0 pontos percentuais em 12 meses. Nas operações de crédito livre às empresas, a taxa média de juros situou-se em 24,2% a.a., com avanços de 2,5 pontos percentual no mês e 1,7 ponto percentual comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Foram determinantes para esse resultado, os incrementos nas taxas médias de juros das operações de cartão de crédito rotativo (+103,1 pontos percentuais), capital de giro com prazo até 365 dias (+9,3 pontos percentuais) e capital de giro com prazo superior a 365 dias (+1,7 pontos percentuais ).
No segmento de crédito livre às famílias, a taxa média de juros aumentou 0,8 ponto percentual no mês e 1,6 ponto percentual em 12meses, situando-se em 53,9% ao ano. Esse desempenho foi impulsionado pelas elevações das taxas de crédito pessoal não consignado vinculado à composição de dívidas (+5,3 pontos percentuais) e de financiamento para a aquisição de veículos (+2,0 pontos percentuais ), bem como pela maior participação relativa das operações de cartão de crédito rotativo na composição da taxa média de juros do segmento.
No mês, o efeito da variação das taxas de juros (efeito taxa) foi determinante para o crescimento das taxas médias de juros do crédito livre