O Índice de Confiança das Famílias (ICF) do Rio Grande do Sul registrou 60,3 pontos em fevereiro de 2025, avançando 2,1% em relação a janeiro. O crescimento interrompe uma sequência de três meses de queda e demonstra uma leve melhora na percepção dos consumidores. No entanto, o índice ainda está longe da linha de neutralidade (100 pontos), evidenciando um cenário de consumo fragilizado.
A alta foi impulsionada pelo aumento do nível de consumo atual (+8,8%), acesso ao crédito (+4,5%), perspectiva de consumo (+2,9%) e renda atual (+0,6%). Além disso, a massa de rendimento real no estado cresceu 9,6% no último trimestre, refletindo uma recuperação do mercado de trabalho.
Entretanto, a segurança no emprego caiu (-1,2%), e a perspectiva profissional atingiu o menor nível da série histórica (15,5 pontos). Outro fator preocupante é a cautela das famílias em relação a bens duráveis: 90,8% consideram este um mau momento para compras de alto valor, o que impacta setores como eletrodomésticos e eletrônicos.
Segundo Arcione Piva, presidente do Sindilojas Porto Alegre, a recuperação do varejo promete ser gradual, “com ganhos em todas as áreas, porém concentrada em itens essenciais, aqueles que os consumidores compram, mesmo em momentos de incertezas”, exemplificou.
Já Rodrigo de Assis, economista da Entidade reforça que o cenário econômico com juros elevados e crédito mais caro, dificultará um crescimento sustentável do consumo. “O impacto no varejo será notado. As famílias precisam cuidar com os novos gastos para evitar a inadimplência”, destacou.
Embora o ICF tenha recuperado 40% das perdas recentes, a retomada completa dependerá de um mercado de trabalho mais estável e maior previsibilidade econômica.