Guerra comercial movimentou a terça de Carnaval nos mercados mundiais

Canadá, México e China também anunciaram imposição de tarifas aos produtos norte-americanos

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A terça-feira, 4, de Carnaval no Brasil não foi nada calma no cenário comercial envolvendo os Estados Unidos, Canadá, México e China. Além da troca de farpas e represálias, o impacto nas bolsas de valores foi intenso, exceto no Brasil que não operou. As bolsas da Europa fecharam em queda expressiva com os temores desencadeados pela entrada em vigência das tarifas impostas.

Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em queda de 1,27%, enquanto em Frankfurt, o DAX recuou 3,53%. Já em Paris, a queda foi de 1,85%, a 8.047,92 pontos e de 2,49% em Madri. Em Lisboa, o mercado registrou baixa de 1,64%, enquanto em Milão, o FTSE MIB marcou variação negativa de 3,41%.

O Canadá anunciou que vai aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos importados dos Estados Unidos em retaliação à “guerra comercial” lançada. A projeção é que a cobrança atingirá um total de US$ 107 bilhões em mercadorias, sendo que na primeira etapa a tarifa será aplicada a apenas 30 bilhões de dólares canadenses em importações. A segunda, que ocorrerá depois de 21 dias, envolverá o restante dos produtos.

Além disso, o governo canadense está discutindo barreiras não tarifárias a produtos dos Estados Unidos, para demonstrar que “não há vencedores numa guerra comercial”. O México com suas próprias tarifas retaliatórias sobre produtos norte-americanos.

A China anunciou a cobrança de tarifas adicionais de até 15% sobre as importações de produtos agrícolas dos EUA, incluindo frango, carne suína, soja e carne bovina, além de expandir os controles sobre negócios com empresas norte-americanas chave. As novas tarifas da China entrarão em vigor a partir de 10 de março.

Trump usou uma rede social para estimular as empresas a transferirem suas operações para os EUA. “Se as empresas se mudarem para os EUA, não haverá tarifas!!!”, escreveu ele.

ENTENDA

O presidente norte-americano anunciou que passaram a vigorar, nesta terça-feira, 4, a imposição de tarifas de 25% sobre produtos importados pelos americanos com origem no México e no Canadá. Já para a China a tarifa sobre as importações será de 10% adicional aos 10% já imposto há um mês.

No último final de semana, Trump determinou nova investigação comercial que poderá aumentar as tarifas sobre madeira em tábuas importadas, somando-se às taxas existentes sobre a madeira serrada de fibra longa canadense, podendo impactar o segmento no Brasil e na Alemanha.

Analistas consideram que a cadeia comercial entre os EUA, Canadá e México será afetada com a cobrança de tarifas adicionais. O comércio de bens e serviços com o Canadá e os EUA, por exemplo, chegou a US$ 920 bilhões em 2023, enquanto com o México ficou muito perto, quase US$ 900 bilhões. O impacto também será percebido pelos consumidores destes países com o aumento de preços internos.