Anúncio de Lula no polo naval renova esperanças em Rio Grande

Presidente assina contrato que prevê aquisição de quatro navios, com valor de US$ 69,5 milhões cada, e impulsiona polo naval do município

No ápice, eram gerados 24 mil empregos no polo naval, número que hoje gira em torno de 300 | Foto: Matheus Vieira /ECOVIX

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Rio Grande, nesta segunda-feira, está gerando grande expectativa no município, principalmente entre aquelas pessoas que já trabalharam no polo naval. Lula estará no Estaleiro Rio Grande para assinatura de licitação para aquisição de quatro navios, em um negócio estimado em R$ 1,7 bilhão, que deve gerar ao menos 1,5 mil empregos.

A notícia animou várias pessoas, como o motoboy Gilberto de Oliveira Domingues, de 48 anos. Ele conta que trabalhou no polo por empreitadas durante muito tempo, sendo o maior período, de seis anos, na Ecovix. “Já fiz trabalhos como caldeireiro, mecânico montador, montador de estrutura, lixador, entre outros, logo tenho experiência. Hoje consigo sobreviver como motoboy, pois praticamente tudo parou nesta área”, lamenta.

Domingues diz que já trabalhou até em uma fábrica de peixes, mas não perde a esperança. Ele acredita que a solenidade de segunda-feira, com a presença do presidente da República, representa a retomada do polo naval e do crescimento da cidade. “Fico feliz com o retorno financeiro e a possibilidade de conseguir voltar a fazer o que eu gosto e no que tenho muito prática.”

No ápice do funcionamento do polo naval, eram gerados 24 mil empregos, atualmente o número de pessoas que trabalham no estaleiro gira em torno de 300. “Caso se consiga novamente manter uma constância, irá melhorar muito a situação econômica não só de Rio Grande como da região”, opina o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Rio Grande e São José do Norte, Benito Gonçalves.

Segundo Gonçalves, além de 1,5 mil empregos nos próximos três anos, existe ainda a expectativa da obra de modificação da Refinaria Riograndense, que em breve deve passar a produzir biocombustíveis. “Serão outros 1,5 mil empregos também”, disse.

A riograndina Sheila Cristiane Leitzke das Neves, de 46 anos, conta que entrou para o polo naval em 2007, quando passou a trabalhar na construção de diversas plataformas como a P-53, P-55, P-58, P-74 e módulos da P-75 e P-77. “Após sair por quatro anos, retornei, de 2022 a 2024, quando trabalhei em São José do Norte. Agora, por falta de oportunidades, tive que me mudar para a cidade de Barcarena, no Estado do Pará”, relata.

Sheila conta que hoje mora longe do filho e da mãe que permanecem em Rio Grande. “Tive que deixá-los para poder me sustentar.” Ela tem esperança de que a situação mude no município a partir do início da construção dos quatro navios. “A minha expectativa é voltar a ter trabalho na cidade, onde a pessoa possa ter uma alimentação adequada e um dinheiro que possa separar para fazer um curso e se qualificar.”

‘Precisávamos começar de novo’, diz prefeita

A prefeita de Rio Grande, Darlene Torrada Pereira, afirma que o ato desta segunda-feira traz esperança de retomada. “Nosso povo sofreu muito quando terminou o polo. A presença de Lula representa a retomada da esperança.”

Darlene afirma que a construção dos quatro navios não é tudo, mas pode ser um recomeço. “Precisávamos começar de novo. Os números não são grandes em termos de trabalho, mas a representação quanto à capacidade é muito maior”, destaca, lembrando que, além dos quatro navios, há novos leilões e editais que devem ser publicados.

“Poderemos voltar a crescer. Não sei se nos mesmos moldes de 2013, mas o fato de ter um polo estruturado, funcionando na cidade já é positivo. Esperamos que seja um ciclo permanente de emprego e desenvolvimento, de novas empresas do setor que se instalem para atender as necessidades. É um início bem seguro”, afirma a prefeita.