IPCA e última reunião do Copom no ano marcam semana econômica

Economistas se dividem entre uma alta de 75 ou 100 pontos-base

Crédito: Freepik

A semana econômica entre os dias 8 e 13 de dezembro será de divulgação de indicadores econômicos que devem guiar o mercado financeiro brasileiro em 2025. A inflação ao consumidor de novembro, mensurada pelo Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA), vai indicar na terça-feira, 10, se o nível de preços continua rompendo o teto superior da meta de inflação. O regime de meta de inflação prevê uma inflação anual de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para abaixo. Entretanto, a grande cereja do bolo na semana é a decisão, na quarta-feira, 11, após o fechamento do mercado, da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.

A prévia da inflação de novembro, o IPCA-15, mostrou uma continuação do rompimento do piso superior da meta, a 4,77% no acumulado de 12 meses, levemente superior ao IPCA de outubro de 4,76%. O único consenso do mercado é de uma aceleração no ritmo de aumento da taxa Selic, com os economistas se dividindo entre uma alta de 75 ou 100 pontos-base, o que elevaria a taxa de juros de 11,25% para 12% ou 12,25%. Ao longo da semana serão conhecidos os dados de atividade – como vendas no varejo, volume de serviço e o IBC-Br – de outubro, apresentando se a economia brasileira continua o processo de desaceleração no 4º trimestre e em qual ritmo.

“Além da decisão de juros, o mercado espera o tom do comunicado. A expectativa é de um comunicado muito hawkish em relação à última reunião, porque houve uma deterioração desde a última reunião do cenário econômico brasileiro do ponto de vista da condução da política monetária”, comenta Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.

Segundo ele, o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre desacelerou, mas foi levemente acima do esperado, evidenciando uma atividade econômica aquecida no Brasil. O mercado de trabalho continua apertado, com a taxa de desemprego próximo à mínima histórica, com a massa salarial em níveis recordes. “O pacote de contenção de gastos para os próximos anos apresentado pelo governo ficou aquém do esperado pelo mercado. Enquanto a projeção do governo é de uma economia prevista de R$ 71,6 bilhões em 2025 e 2026, as estimativas do mercado variam entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões”, diz.

DIVERGÊNCIA

Além disso, os economistas divergem da promessa do governo de que a isenção de imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil seja fiscalmente neutra com a adoção de uma alíquota efetiva de 10% para quem recebe acima de R$ 50 mil mensais. Há também um consenso do mercado de que o pacote divulgado pelo governo enfrente resistência para que ele seja aprovado integralmente pelo Congresso, com risco de desidratação.

Outra preocupação é a viabilidade de longo prazo do arcabouço fiscal, que prevê aumento dos gastos públicos entre 0,6% e 2,5% acima da inflação. Com mais 90% do orçamento engessado, ou seja, sem possibilidade de corte, e com o crescimento da execução acima de dois dígitos em algumas rubricas, há risco de a alta dos gastos superar os limites impostos pelo arcabouço.

“O pacote de contenção de gastos é visto pelo mercado como postergação da resolução desse problema para 2027, ano do início do mandato presidencial seguinte. A incerteza fiscal acaba elevando o prêmio de risco nos ativos financeiros, refletido na curva de juros futuros com taxas maiores nos vértices mais longos e no enfraquecimento do real. A cotação do dólar acima de R$ 6,00 deve ser transmitida para a inflação, o que deve exigir uma postura mais agressiva na alta da Selic pelo Copom”, diz Manzoni

Então, se antes, no início do atual ciclo de aperto, a expectativa era de uma Selic terminal por volta de 12%, agora dificilmente ela está abaixo de 14% nas projeções, com economistas estimando a Selic em 15% no ano que vem. Dessa forma, o próximo Boletim Focus, tradicionalmente divulgado às segundas-feiras, ganha importância, especialmente em relação à expectativa da taxa Selic e do IPCA para 2025 e 2026.

Diante desse contexto econômico complexo e deterioração das expectativas, o comunicado e a ata, que será divulgada na semana seguinte, ganham importância. Os economistas e investidores aguardam para avaliar como a autoridade monetária está avaliando o cenário econômico e seu comportamento nas reuniões em 2025, quando haverá a troca de comando do Banco Central, com a saída de Roberto Campos Neto e a entrada de Gabriel Galípolo na presidência da instituição.

EXTERIOR

A agenda também será movimentada no exterior. Os destaques são a divulgação da inflação ao consumidor e ao produtor de China e EUA, com os dois países vivendo situações divergentes em suas economias. Enquanto na China a expectativa é se a deflação será encerrada após o pacote de estímulos monetários anunciado entre setembro e novembro começou a surtir efeito na economia, nos EUA o acompanhamento será se a inflação vem em linha com o consenso no mercado, já que o trajeto para o centro da meta de 2% ao ano tenha estagnado, com os núcleos ainda rodando acima de 3% na base anual.

Inclusive, a estagnação da melhora da inflação foi observada por Michelle Bowman, que é uma das votantes mais hawkish do Fomc (sigla em inglês para Comitê Federal de Mercado Aberto). Na zona do euro, o Banco Central Europeu (BCE) deve reduzir a taxa de juros em 25 pontos-base na quinta-feira. A expectativa é em relação à entrevista da presidente Christine Lagarde, que deve abordar os próximos passos da flexibilização monetária no bloco. A zona do euro também vai conhecer o PIB do terceiro trimestre, assim como o Reino Unido e o Japão.