FCDL-RS defende política econômica consistente para superar os desafios de 2025

Entidade projeta um crescimento de 2,2% no varejo gaúcho

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O comércio do Rio Grande do Sul terá um 2025 melhor em termos de vendas considerando, mantida a normalidade climática e as premissas econômicas. A estimativa foi feita nesta quinta-feira, 5, pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul – FCDL-RS. As expectativas são de um crescimento de 2,2% no varejo gaúcho, apesar da previsão de uma taxa Selic de 13,5% e IPCA de 4,2% no próximo ano.

Conforme o presidente da FCDL-RS, Vitor Augusto Koch, os desastres climáticos marcaram o ano de 2024 o que reforça a necessidade de o estado estar preparado adequadamente para eventos futuros, reerguendo as possibilidades e vocações dos gaúchos, reinventando atividades e projetos para tanto em nível estadual quanto municipal.

“A enchente que atingiu o estado em maio deste ano acabou por interromper o bom momento do segmento, que apresentava, na comparação com estados vizinhos um final de 2023 e início de 2024 encorajador, principalmente nos segmentos tradicionais do setor. Como esse ritmo foi impedido de ser mantido, entraram em ação auxílios federais e programas do governo estadual, além de ações pontuais dos municípios, para viabilizar uma retomada significativa da atividade econômica gaúcha”, diz.

Para o professor da Escola de Negócios da PUCRS, Gustavo Inácio de Moraes, a manutenção do ritmo de atividade em patamar elevado vai depender de novos estímulos ou de investimentos adequados do ponto de vista estratégico, melhorando a infraestrutura, gerando empregos qualificados e oportunizando uma reinvenção do espaço econômico do estado. “É preciso a identificação de novas matrizes de produção inseridas em cadeias produtivas que criem empregos e renda, além de inovação”, comenta Moraes.

ESTRATÉGIA

Para o economista, o desempenho dependerá da política econômica do governo federal. “Ao optar por uma linha estratégica distinta daquela adotada em seu primeiro mandato, entre 2003 e 2006, o presidente Lula afasta-se da condição de estadista e aproxima-se da condição de populista. Não é porque o debate político encontra-se polarizado que o presidente necessite ser marcante em linhas econômicas”, comenta o presidente da FCDL-RS.

A entidade apoia a correção do imposto de renda para aqueles que ganham até próximos de 4 salários-mínimos, e entende que mesmo abrindo mão dessa receita é possível cortar gastos, pois a essência do setor público é encontrar soluções para a população. “Soluções criativas, que busquem gestão e eficiência, permitem com que a população seja atendida sem a necessidade de aumento de gastos”, comenta Koch.

A isenção do Imposto de Renda para os assalariados até R$ 5 mil, além de construir justiça tributária ao reconhecer os índices inflacionários não observados na tabela, no entendimento da entidade, proporcionaria um novo estímulo de consumo para uma faixa de população em que as carências são grandes. Nesse sentido, é possível visualizar expressivos benefícios para os setores de habitação, vestuário, higiene pessoal e alimentação fora do domicílio.

Para o final de 2025, apesar dos imensos obstáculos, a FCDL-RS acredita que, apesar das pressões inflacionárias, câmbio pressionado e a perspectiva de taxa Selic de pelo menos 13,5% ao ano, que o governo federal possa corrigir seu impulso e relembre a eficácia da política econômica de duas décadas atrás.