O valor total das vendas de novos imóveis registrou uma alta de 8,7% nos cinco primeiros meses de 2023, em relação ao mesmo período de 2022. Os dados são do indicador Abrainc-Fipe, pesquisa elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) com dados de 20 empresas ligadas à Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). O desempenho é justificado pelo desempenho de empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que registrou um crescimento de 11% ante 4,1% dos novos imóveis de Médio e Alto Padrão (MAP).
“À época, as vendas no MAP foram impactadas pela reclassificação de imóveis destinados originalmente ao MCMV, pois o aumento nos custos de construção nos últimos anos fez com que os empreendimentos que antes eram voltados para o MCMV fossem reenquadrados no segmento MAP. Em junho, o reajuste no teto do programa MCMV, que foi elevado para R$ 350 mil, acabou por corrigir essa distorção. Já o valor total dos lançamentos cresceu 6,7%. Neste quesito, o MAP registrou uma retração de 34,5% no valor total dos lançamentos de novos empreendimentos durante o período analisado”, diz a associação, em nota.
TAXAS DE JUROS
Segundo a Abrainc, os dados apontam que o MAP enfrenta desafios devido às altas taxas de juros, que prejudicam o crescimento das empresas e o acesso aos financiamentos imobiliários pelo SBPE (Sistema Brasileiro Poupança e Empréstimos), pois os juros impactam os financiamentos com o aumento nos custos dos empréstimos, “criando obstáculos significativos”. Uma solução proposta, de acordo com a pesquisa, é aumentar de 65% para 70% o direcionamento dos recursos da caderneta de poupança para o crédito imobiliário. “Isso poderia tornar os financiamentos mais acessíveis, estimulando o segmento MAP e viabilizando projetos”, diz.
“No entanto, em um contraponto, o MCMV seguiu uma trajetória inversa, com um aumento considerável de 63,8% no valor total nos lançamentos. Esse movimento pode ser interpretado como uma resposta a implantação do Novo MCMV, que facilitou o acesso a moradia as famílias de baixa renda e viabilizou o lançamento de uma série de novos empreendimentos direcionados à população de baixa renda. Esses vão ajudar não somente gerar emprego como ajudar a reduzir o déficit habitacional atual, que é estimado em 7,8 milhões de moradias”, pondera a Abrainc.