Inovação e tecnologia são temas da missão nos EUA

Grupo do governo do Rio Grande do Sul conheceu modelo de empresa norte-americana, assim como PPP em universidade de Nova Iorque

Foto: Maurício Tonetto / Secom / Divulgação

Tecnologia e inovação são palavras que resumem a quarta-feira para a missão do Rio Grande do Sul em solo norte-americano. A primeira agenda foi na Oracle, uma das gigantes do setor. Assim como ocorreu na segunda-feira, na Microsoft, a empresa teve a oportunidade de apresentar novas ferramentas de gestão, algumas utilizadas por governos, como armazenamento de dados em nuvem e segurança digital. Além disso, conteúdos para formação de mão de obra também foram disponibilizados.

Levar tanta inovação aos gaúchos é o desafio da secretária de Inclusão Digital, Lisiane Lemos. “É o que tira o meu sono. A gente tem conversado muito sobre construir laboratórios de inovação e usar a nossa rede, que tem um parque de computadores muito útil, e ver quais são os programas de conectividade. Será necessário desenvolver um plano para levar isso até o cidadão, onde ele estiver, no celular, em outro dispositivo ou nas nossas escolas”, afirmou, lembrando que isso precisa passar por discussões na Assembleia Legislativa, a começar pela definição do orçamento do Estado.

O segundo compromisso foi no Cornell Tech, braço de tecnologia da Universidade de Cornell, fundada em 1865. Em 2011, a instituição deu início a um ambicioso projeto: o de figurar entre as principais do país na área de inovação. Na Ilha Roosevelt, localizada a leste de Manhattan, um novo campus foi construído, em um modelo de parceria público-privada (PPP). O governo cedeu a área e promoveu a infraestrutura básica, como ruas e redes de energia e água. O restante foi custeado pela iniciativa privada, com a constituição de um fundo, bancado principalmente por doações, que hoje totalizam quase um bilhão de dólares. Um dos benfeitores é o ex-prefeito de Nova Iorque Michael Bloomberg, magnata famoso por ações de filantropia.

Hoje o Cornell Tech já é um concorrente de instituições consagradas, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a região de Nova Iorque figura no mapa da inovação, ao lado do Vale do Silício, na Califórnia, e de Austin, no Texas. A receita para o sucesso traz alguns pilares. Ao ingressar na instituição, por exemplo, os estudantes precisam fazer uma escolha: ou dão início a uma startup, ou optam por trabalhar em uma grande empresa, já estabelecida. A cobrança por resultados é permanente. Atualmente, a instituição conta com 500 alunos, entre estudantes de graduação e pós-graduação.

Para o governador do Rio Grande do Sul, a palavra-chave é aproximação. “Muitas vezes você identifica uma startup que está iniciando um negócio no Rio Grande do Sul e, por esta relação estabelecida aqui, é possível identificar que algum negócio aqui em Cornell tenha sinergia com o que estamos fazendo no Brasil e aí colocamos as pessoas em contato. O protocolo de intenções acaba sendo um guarda-chuva para a gente poder identificar áreas em que se tocam iniciativas nossas com as deles. E, claro, ter uma ação mais efetiva nos eventos promovidos por eles para inspirar o nosso ecossistema de inovação”, afirmou.

Como a agenda é corrida e o trânsito nova-iorquino não é necessariamente tranquilo, para ganhar tempo e evitar atrasos, deslocamentos foram feitos de metrô e ferryboat. A última agenda do dia foi uma visita ao NewLab, um hub de inovação que lembra muito o Instituto Caldeira, em Porto Alegre

Custo de vida I
A inflação nos Estados Unidos dá sinais de que está entrando (finalmente) nos trilhos. Ainda assim, o estrago feito pela alta nos preços ao longo dos últimos meses permanece na vida dos norte-americanos. Em Nova Iorque, comer um hambúrguer simples, acompanhado de batatas fritas e bebida custa entre 15 e 20 dólares, ou seja, quase 100 reais. É caro, mesmo para o bolso deles.

Custo de vida II
Como a Petrobras ainda não alterou a política de preços (ou seja, a paridade com o mercado internacional permanece), o valor cobrado pelo litro da gasolina no Brasil e nos Estados Unidos, na região de Nova Iorque, é praticamente o mesmo – algo na faixa de 5 reais. O leitor mais atento fará duas observações, ambas corretas. A primeira: o combustível vendido em território norte-americano é de melhor qualidade. A segunda: há uma grande diferença nas alíquotas de impostos entre as unidades da federação. No Texas, o valor cobrado é inferior ao de Nova Iorque, pela menor carga tributária.