Empresário confirma que patrocinou reforma do escritório de Jair Renan

Filho do presidente é investigado por denúncias de que recebia bens em troca de organizar reuniões no Planalto; defesa nega

Foto: Renato Souza/R7

O advogado e empresário Luis Felipe Belmonte, marido da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) e suplente do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), confirmou ao portal R7 que deu R$ 9,4 mil para a reforma do escritório do filho mais novo do presidente Jair Bolsonaro (PL), Jair Renan. O empresário afirmou que pagou o valor por meio de uma das empresas dele, a Belmonte Sports, que atua na área de marketing esportivo.

O escritório, inaugurado no segundo semestre de 2020, fica no estádio Mané Garrincha, em Brasília. O empresário também confirmou o patrocínio em depoimento à Polícia Federal (PF) no inquérito que investiga se o filho do presidente organizava encontro de empresários com integrantes do governo em troca de bens. A oitiva, segundo Belmonte, ocorreu há cerca de dois meses.

Ele afirmou que não pagou diretamente a reforma e que deu o dinheiro para uma arquiteta preparar o camarote no Mané Garrincha. “A Belmonte Sports patrocina diversos atletas e eventos esportivos. E esse foi um dos pedidos feitos (…), assim como já fizemos com o pessoal da área do tênis, da área de ginastica artística, do atletismo (…) Não importa se é filho do presidente ou não. Nada a ver com o presidente”, disse à reportagem, nesta sexta-feira.

De acordo com o empresário, a solicitação partiu de Allan Lucena, na época amigo e parceiro de negócios de Renan. A reportagem não conseguiu contato com Lucena. Segundo Belmonte, o personal trainer tratou inicialmente com uma assessora do empresário. Depois, os dois se encontraram e Lucena perguntou se ele tinha como ajudar com a montagem do escritório.

“Dentro do que a gente trabalha, não é um valor muito expressivo. Temos uma verba justamente para fazer patrocínio de atividades esportivas, e foi isso que foi feito”, afirmou.

Belmonte confirmou que conversou com Renan sobre o assunto. “Ele esteve lá uma vez com o Allan também”, ressaltou. Belmonte era cotado para a função de vice-presidente do Aliança Pelo Brasil, partido que o presidente Bolsonaro tentou criar. De acordo com o empresário, ele se encontrou com Renan pela primeira vez no lançamento do projeto da legenda.

“Depois eu encontrei com ele (Renan Bolsonaro) numa atividade na Câmara dos Deputados de jogos eletrônicos. Allan comentou que eles estavam querendo fazer um projeto, eu achei legal. Aí depois, ele (Allan) procurou a minha assessora, disse que queria falar comigo. O Renan depois, pessoalmente, pediu para ajudar lá com a arquiteta que ia fazer o projeto. Falei: ‘Tudo bem, não tem problema nenhum'”, relatou Belmonte.

O empresário negou que tenha se encontrado com o filho do presidente no Palácio do Planalto. “Eu não tinha contato com ele. Para ir ao Palácio, não preciso do Renan. Se quisesse falar, eu falaria diretamente com quem precisasse. Eu nunca precisei de nada do governo, não tenho nada no governo, nenhum interesse no governo. Minhas atividades são todas privadas”, disse.

Belmonte também frisou que não ajudou Renan em troca de benefícios do governo. “Área pública é para atender a sociedade, não para fazer negócio”, relatou. O empresário afirmou que nunca mais teve contato com Renan e que apenas o ajudou naquele momento inicial. “Não era algo que fosse relevante para mim. Faria com ele como faço para outros. Tem menino em Ceilândia e no Sol Nascente que pede e a gente ajuda também”, garantiu.

Defesa
Advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef disse em nota que Renan “não solicitou dinheiro a ninguém”. “Não recebeu um único real de quem quer que seja, não recebeu carro de presente, não atuou para nenhuma empresa, não solicitou que ninguém pagasse nada a ninguém e seu nome foi usado indevidamente. Não marcou reunião em nenhum ministério. O vazamento a conta-gotas deste inquérito policial federal que está em segredo de justiça é crime”, afirmou.

Por telefone, o advogado disse ao R7 que não confirma que a reforma tenha sido paga pelo empresário. “Houve um camarote, existia o camarote, não foi reforma, foi a montagem do camarote. O Renan Bolsonaro não pediu nada a ninguém, jamais ele pediu ou solicitou qualquer coisa a quem quer que fosse. Agora, se terceiros fizeram isso, aí é só no bojo do inquérito que vai ficar demonstrado”, defendeu.

De acordo com ele, Renan costuma atuar por meio de permuta. “Supondo que tenha ocorrido, as pessoas que procuravam o Renan querem o espaço que o Renan tem na internet”, disse, ressaltando que vai pedir a investigação sobre o vazamento do inquérito.