Definição sobre demolição ou reforma do Esqueletão deve sair até dezembro

Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais (Leme) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) iniciará a elaboração do laudo estrutural nos próximos dias

Neste domingo encerrou o prazo judicial para comerciantes e moradores deixarem o prédio inacabado, localizado no Centro de Porto Alegre | Foto: Mauro Schaefer / CP Memória

A definição sobre a demolição ou reforma do prédio chamado popularmente de “Esqueletão”, no Centro de Porto Alegre, deverá ser revelada até dezembro deste ano. A estimativa foi dada pelo secretário Municipal de Planejamento e Assuntos Estratégicos, Cezar Schirmer. Nos próximos dias, o Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais (Leme) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) iniciará a elaboração do laudo estrutural que decidirá o futuro do edifício inacabado desde o final da década de 1950.

“A partir de agora os técnicos do Leme vão dar um laudo definitivo sobre o prédio. O prazo é de três meses de contrato. Então a nossa expectativa, e pode ser um pouco antes, é que dezembro tenhamos esse laudo pronto que vai dizer pela demolição ou por um reforço estrutural”, afirma Schirmer.

Na manhã deste domingo, a prefeitura da Capital conseguiu realizar a desocupação total do prédio que tinha apenas três moradores. Conforme o prefeito, Sebastião Melo, a remoção das últimas pessoas que habitavam o local aconteceu de forma pacífica, sem a necessidade de qualquer operação. A partir de agora, o edifício ficará fechado para limpeza e seguirá com monitoramento da Guarda Municipal.

As famílias que permaneciam no Esqueletão foram encaminhadas a vagas em pousadas, até que estejam devidamente cadastradas para recebimento do auxílio moradia. Dos 19 pavimentos, quatro eram ocupados. No térreo funcionava uma galeria comercial. O primeiro, segundo e terceiros andares eram utilizados para moradia, na maioria dos casos, em condições muito precárias, com acúmulo de lixo e instalações elétricas inadequadas. De acordo com laudo assinado por engenheiros da prefeitura em 2018, o prédio oferecia risco de grau crítico aos ocupantes.

O processo de desocupação começou ainda no ano passado, mas foi suspenso em função da pandemia. Desde o início do ano, foram realizadas reuniões preparatórias com moradores e comerciantes. No dia 25 de agosto, os ocupantes foram notificados pelo Poder Judiciário de que deveriam deixar o local e, desde então, os moradores foram acompanhados pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) e Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), e os comerciantes, pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo.

Dos cerca de 50 moradores mapeados pela prefeitura desde janeiro deste ano, 19 comprovaram situação de vulnerabilidade social, sendo que 11 já estão recebendo auxílio-moradia, no valor de R$500 e fornecido pelo período de 24 meses. Ao longo do processo de desocupação, o Departamento Municipal de Habitação (Demhab) auxiliou em 15 mudanças. Já para os comerciantes foram oferecidos espaços no Centro Popular de Compras, acesso ao programa de microcrédito da prefeitura. Tanto moradores como os comerciantes são proprietários de salas do Esqueletão ou locavam os espaços.