Melo descarta decisão de “fechamento de Porto Alegre” sem análise científica

Mudança de postura do prefeito eleito depende de dados do Comitê municipal de Enfrentamento ao Coronavírus

Foto: Alina Souza/CP

O prefeito eleito Sebastião Melo (MDB) reforçou, nesta quinta-feira, a postura defendida durante a eleição municipal de que não vai tomar medidas prevendo o “fechamento de Porto Alegre” sem uma análise científica concreta que aponte a necessidade de medidas mais rígidas para o enfrentamento da pandemia no município.

“O que causa mais contaminação: manter uma cidade funcionando com protocolos rígidos?”, questionou Melo em entrevista ao programa Esfera Pública, na Rádio Guaíba, na tarde de hoje. Melo toma posse nesta sexta-feira em Porto Alegre, com cerimônia às 15h na Câmara de Vereadores e às 18h no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público.

Ao lançar o questionamento, ele afirmou desconhecer qualquer análise científica sobre o assunto. Por isso, reforçou que para eventual mudança de postura frente ao tema, precisa de dados técnicos do Comitê municipal, a ser integrado por especialistas e entidades da área da saúde. “Não vou tomar nenhuma decisão de fechamento sem nenhum documento balizador pra isso. Estou convencido que não é fechando que você vai ter menos infecção por coronavírus.”, afirmou.

No entanto, Melo salienta que os gestores devem entender que o cenário mudou com a chegada do coronavírus. É o caso do comércio que, segundo ele, não vai ter o mesmo faturamento de antes da pandemia. Da mesma forma, citou a demanda de passageiros no transporte coletivo e a disposição dos estudantes às aulas presenciais na rede pública. “O gestor deve ter compreensão de que toda decisão que for tomar precisa levar em consideração este cenário”, destacou.

Em relação ao calendário de ensino, Melo alegou que a pauta precisa de diálogo. “Não queremos impor um calendário pra rede, mas também não queremos um calendário imposto por ela”, resumiu.

“Transporte coletivo colapsou antes da pandemia”

O transporte público de Porto Alegre deve ser um dos principais desafios da gestão de Sebastião Melo e Ricardo Gomes a partir desta sexta-feira. De acordo com o prefeito, o segmento, duramente afetado pela pandemia, com a redução do número de passageiros, precisa de controle nos gastos.

“Nós temos um transporte coletivo que colapsou antes da pandemia e, que agora, transporta 50% dos passageiros e que quer que eu continue botando dinheiro público a partir de janeiro” afirmou, ao lembrar que o acordo entre a atual gestão de Nelson Marchezan Jr. e a Carris termina em 31 de janeiro. “Uma Carris que recebeu muito dinheiro na pandemia pra poder transportar”, acrescentou. Segundo o prefeito eleito, é uma decisão a ser tomada “rapidamente”, com “planejamento, calma e parceria”.