Covid-19: ‘desajuste’ causou falta de remédios para intubação, avalia Ministério da Saúde

Elcio Franco, secretário-executivo da pasta, anunciou reforço na distribuição das substâncias por meio de ação conjunta

Foto: Pixabay / R7

O Ministério da Saúde responsabilizou um possível “desajuste no mercado” pela falta de medicamentos essenciais para a intubação de pacientes graves com a Covid-19, provocada pelo novo coronavírus, em UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) de todo o país.

Elcio Franco, secretário-executivo da pasta, disse no início da noite desta segunda-feira, no Palácio do Planalto, em Brasília, que uma das causas identificadas pelo Executivo é o crescimento da demanda durante o avanço da pandemia em todo o mundo.

“Tivemos o tempo todo a preocupação de não desabastecer o mercado, nós temos a rede privada de saúde. Um dos aspectos que nós identificamos é que estados e municípios tinham dificuldades de adquirir, mas que havia uma disponibilidade. Tanto que nós estamos requisitando para que possamos fazer essa distribuição”, explicou.

Após cotação realizada em 18 de junho, a Pasta anunciou hoje a requisição de 21 substâncias utilizadas durante o processo de intubação mecânica de pacientes graves. De acordo com Sandra de Castro Barros, diretora do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, a iniciativa vai auxiliar estados e municípios na aquisição dos itens.

Para Elcio Franco, o aumento da cotação do dólar também influencia negativamente na capacidade do poder público em comprar as composições. Algumas, segundo o secretário-executivo, ficaram até 10 vezes mais caras.

“Esses medicamentos ficaram consideravelmente mais caros, baseado em aspectos que nós podemos identificar. Um deles foi o aumento da cotação do dólar; outro foi o aumento da procuração mundial do ingrediente farmacêutico ativo; e o terceiro é o próprio aumento da procura dentro do país”, afirmou.

Vacina da Universidade de Oxford
No sábado, o governo federal anunciou um acordo para produzir no Brasil a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a biofarmacêutica AstraZeneca.

O acordo prevê a transferência de tecnologia de formulação, o envase e o controle de qualidade. O documento, no entanto ainda precisa ser assinado. Segundo o secretário-executivo, o País está contratando, por meio da estrutura da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma “encomenda tecnológica”.

“Existe um risco de ela não dar certo, mas em todo mundo há evidências de que a que entrou em estágio mais avançado é a que está em condições de nos apresentar uma solução efetiva em mais curto prazo”, disse Franco, no início da noite de hoje.