Weintraub deixa Ministério da Educação

Economista sai da pasta com gestão marcada por críticas, frases de efeito em redes sociais e ataques a membros do Supremo Tribunal Federal

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Abraham Weintraub deixou o cargo de ministro da Educação. O anúncio ocorreu em rede social, nesta quinta-feira, após reunião com o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). “Agradeço a todos de coração, em especial ao presidente Jair Bolsonaro, o melhor presidente do Brasil”, escreveu Weintraub no Twitter.

 

A trajetória de Weintraub à frente da pasta acumulou desgastes por conta de declarações polêmicas e frases de efeito. No último domingo, ao participar de uma manifestação em Brasília, ele voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, a troca no Ministério da Educação (MEC) já era dada como certa.

A situação do ministro se complicou desde a divulgação de um vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, em que Weintraub sugeriu colocar os “vagabundos” do STF na cadeia. A fala gerou críticas de ministros da Corte e de parlamentares.

Durante a reunião, o próprio Weintraub lembrou ser um ministro “ativista”. Ataques em redes sociais resultaram em dezenas de processos na Justiça. Ao ficar fora do governo, o ministro perde o foro privilegiado e esses processos serão remetidos às instâncias inferiores.

No fim de maio, o agora ex-ministro criticou ainda a operação da Polícia Federal (PF) sobre o inquérito das fake news. Ele chamou o cumprimento de 29 mandados de busca e apreensão, que foram realizados em endereços ligados a apoiadores de Bolsonaro, de Noite dos Cristais brasileira, em referência ao trágico dia do regime nazista.

O economista Abraham Weintraub assumiu o Ministério da Educação em abril de 2019, após a saída de Ricardo Vélez Rodriguez. Antes, havia sido secretário-executivo da Casa Civil. O agora ex-ministro pertencia à chamada ala olavista, ou ideológica do governo, alinhada com os pensamentos do filósofo Olavo de Carvalho.