Escolas da Série Ouro empolgam segunda noite do Carnaval de Porto Alegre

Império da Zona Norte, Imperadores e Estado Maior da Restinga despontaram como favoritas ao título

Estado Maior da Restinga encerrou desfiles no Porto Seco | Foto: Ricardo Giusti/CP

*Com informações de Eduardo Amaral

Nove agremiações passaram pelo Complexo Cultural do Porto Seco na segunda noite de desfiles do Carnaval de Porto Alegre. A folia novamente teve início com uma convidada, que foi a Tribo Os Comanches com seu enredo “Um tema para Lino e Jacira”.

Desta vez com menos atrasos, a noite seguiu conforme a ordem definida: primeiro desfilaram cinco escolas da Série Prata e depois três agremiações da Série Ouro fecharam as apresentações. Veja como terminou o chamado Carnaval da Resistência.

Copacabana

A Copacabana entrou na avenida pouco depois das 22h para abrir a segunda noite de desfiles competitivos do Carnaval de Porto Alegre. A escola levou para o Porto Seco o tema-enredo “Sou nagô, na Bahia cheguei, da culinária brasileira participei”, com a proposta de contar a influência negra na culinária brasileira.

O símbolo da escola, a sereia, veio logo no carro abre-alas, que também representou um navio negreiro. Depois da ala das baianas, surgiu outra alegoria, dessa vez com uma baiana nas cores da agremiação – azul, branco e rosa. Numa ala mirim, crianças apareceram vestidas de cozinheiras.

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Durou pouco o tempo a bateria no recuo. Ritmistas da Copa Cabana já de volta, desfile chegando ao fim. Veja um pouco da bateria da escola.

O samba-enredo da Copacabana tinha um refrão forte, mas não empolgou o público, assim como a bateria. Não bastasse isso, a escola ainda teve problemas de evolução e apresentou fantasias pouco inspiradas. No final do desfile, alguns integrantes se envolveram em uma confusão com um fiscal do evento, mas a situação foi resolvida e não houve prejuízos para a agremiação.

Unidos da Vila Mapa

A segunda escola da Série Prata a desfilar foi a Unidos de Vila Mapa, que trouxe o tema-enredo “A Vila Mapa comemora bebendo estrelas, pois é tempo de borbulhas”. A agremiação da Lomba do Pinheiro mostrou garra e os integrantes cantaram o samba-enredo que contava a história da uva, com destaque para o champanhe.

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Vila Mapa encerrando o desfile. Acompanhe um pouco do samba enredo da escola na voz de Bruno Martins. @correio_dopovo

Mas a vontade e o ânimo não foram suficientes e para superar as dificuldades de evolução da escola, que teve diversos buracos ao longo do percurso. Além disso, não foram raras as vezes em que uma ala invadiu o espaço da outra. No quesito fantasia, a agremiação conseguiu ser bonita na simplicidade, apostando em muitas cores. E também ousou ao colocar três carros alegóricos na avenida. Entretanto, mesmo com os pontos positivos, a Vila Mapa deve ficar fora da briga pelo título.

Unidos de Vila Isabel

Na sequência, a Unidos de Vila Isabel entrou no Porto Seco para falar das estrelas. Mesmo com o tema lúdico, e difícil de trabalhar, a escola de Viamão iniciou muito bem. Cantando mistério, encanto e magia, a agremiação citou o Zodíaco, fábulas, folclore popular e a fé do brasileiro. Mas a águia da paz, símbolo da escola, também garantiu espaço em um dos carros alegóricos.

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Bateria do mestre Jobert é um dos grandes destaques da série Prata. @correio_dopovo

Com fantasias bem construídas e uma bateria competente, a agremiação tinha tudo para terminar a noite como forte candidata ao título da série Prata. O problema foi o tempo, já que, segundo dados oficiais, a Escola estourou em dois minutos o período estipulado para cruzar a avenida, e com isso deve perder dois décimos na apuração final.

União da Tinga

Um grito contra o racismo, assim pode ser chamado o desfile da União da Tinga, quarta escola a desfilar pela série Prata. A escola entrou na avenida pouco depois da 1h30min deste domingo com o tema-enredo “Negritude Raiz – eu sou negro e bato no peito”. O primeiro destaque foi a comissão de frente, que trazia uma coreografia forte representando a luta dos negros pela liberdade. O samba-enredo tinha um refrão marcante que foi, aos poucos cativando o público. “Eu sou negro e bato no peito e bato no peito, minha alma nunca morrerá”, bradou a agremiação.

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“Eu sou negro e bato no peito” diz o refrão da União da Tinga. Acompanhe o samba na voz dos intérpretes da Escola. @correio_dopovo

O calcanhar de Aquiles da União da Tinga foram fantasias, já que não foram raras as plumas caídas pelo chão do Porto Seco, o que pode tirar pontos da escola em dois quesitos, fantasias e evolução. Além disso, um dos carros alegóricos da agremiação quebrou e não conseguiu entrar na pista. Os destaques desta alegoria foram realocados para o chão.

Império do Sol

Para fechar a Série B, a Império do Sol levou ao Porto Seco o tema-enredo “África! Um canto negro de louvação e fé! Salve Otanpê Ojarô, princesa africana, rainha do candomblé”. A escola de São Leopoldo se propôs a contar a influência na cultura brasileira, com foco na religiosidade.

Conforme o presidente da agremiação, Aldemiro Silva, o Miro, o tema foi escolhido para marcar a posição de resistência do Carnaval de Porto Alegre. Na avenida, o tambor marcou o desfile, sendo destaque até nas alegorias. Já nas paradinhas da bateria, seguia apenas um tambor de ritos religiosos marcando o ritmo.

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Entrada da bateria no recuo ocorre sem problemas. @correio_dopovo

A escola, contudo, foi prejudicada por um samba-enredo que não empolgou e pela bateria que não conseguiu animar o público. Não bastasse isso, cruzou a dispersão com seis minutos de atraso, o que a coloca longe do título de 2019.

Império da Zona Norte

A responsável por iniciar a Série Ouro, por volta das 4h deste domingo, foi a Império da Zona Norte, com o tema-enredo “Império em devoção a São João”. A comissão de frente e o primeiro carro da escola destacaram as festas juninas; na alegoria, bandeirinhas, pau de sebo e balões davam o clima da comemoração entre os leões que simbolizam a escola.

A Império da Zona Norte entrou muito animada na avenida e acabou promovendo uma grande festa nordestina ao longo de sua apresentação. O samba apostou em elementos de ritmos como frevo e baião e conquistou com um refrão fácil: “Festa junina é pra lá de bã, já fiz promessa pra te namorá, São pedro, santo antônio e são joão, sou moça menina, quero me casá”.

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Bateria da Império da Zona Norte saindo do recuo, hora de escutar um pouco o que Mestre Chiquinho preparou para avenida. @correio_dopovo

A escola se credenciou para brigar pelo título da Série Ouro. E o Mestre Chiquinho, que comandou a bateria, saiu da avenida ovacionado. Emocionado com resultado, ele disse ter trabalhado com o sentimento dos ritmistas.

Imperadores do Samba

Já passava das 5h quando a Imperadores do Samba começou seu desfile no Porto Seco. Sempre entre as favoritas, a vermelho e branco celebrou seus 60 anos de existência na avenida, apresentando um enredo que contava sua própria história. “Se não sabe quem eu sou, senta aí que eu vou contar: sou o mar de alegria que te faz arrepiar, vermelho da paixão, seu infinito amor, ô imperador!”, cantou a escola.

As alas relembraram os principais títulos da Imperadores do Samba ao longo de suas seis décadas, como “Zanzibar, ilha das especiarias”, de 2001, e “Sou Resistência e Não me Kalo: Frida Sou México em Flores, Cores e Amores: Diva entre Imperadores”, de 2017.

Já o último carro levou um bolo para comemorar o aniversário. Entre os destaques da agremiação estavam a comissão de frente bastante coreografada e as fantasias, que chamavam a atenção pela riqueza de detalhes e variação de cores entre as alas. A bateria também promoveu uma grande parada para convocar os integrantes a cantarem.

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Bateria da Imperadores do Samba já fora do recuo. Acompanhe o resultado do trabalho do mestre Júnior Aruanda. @correio_dopovo

Estado Maior da Restinga

Já amanhecia em Porto Alegre quando a Estado Maior da Restinga entrou na avenida para fechar o segundo e último dia de desfiles. A última escola a desfilar no Carnaval 2019 apresentou o tema-enredo “Em Terras Tinguerreiras, Prevalece a Verdade, Quem Foi Rei Não Perde a Majestade”, abordando os reis e rainhas do povo brasileiro, fossem de verdade, subjetivos ou da ficção.

Na comissão de frente, a Restinga trouxe a representação de nomes como Carlinhos de Jesus, como rei da dança, Roberto Carlos, Chacrinha e Lampião. Pelé também estava lá, mas ganhou uma ala inteira em sua homenagem. Uma das alegorias trouxe aquele que foi apresentado pela escola como o verdadeiro rei: o cisne, que é o símbolo da verde, vermelho e branco.

Entre os pontos positivos, a agremiação colocou na avenida algumas das fantasias mais bonitas de todo o Carnaval de Porto Alegre.

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Terceiro carro da Restinga já cruzou metade da avenida. Bateria fora do recuo, e Escola encerrando a noite de desfiles com os primeiros raios de sol. @correio_dopovo