Corpo de Bibi Ferreira vai ser velado no Theatro Municipal do Rio

Filha relata que artista viveu como queria

Bibi Ferreira

A filha da atriz e cantora Bibi Ferreira, Teresa Cristina, afirmou hoje que a mãe “viveu como queria” e “teve uma vida muito boa”. Bibi morreu de infarto, em casa, na manhã desta quarta-feira, aos 96 anos. O corpo vai ser velado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde ocupou a função de diretora de dramaturgia, quando existia essa área no equipamento, além de ópera e balé.

Mais conhecida como Tina Ferreira, a filha de Bibi lembrou que a mãe queria, de início, ser concertista mas, quando o pai, o também ator Procópio Ferreira, a chamou a fazer o papel de Mirandolina, no Teatro Serrador, decidiu ser atriz. “A carreira dela começou a fluir”, afirmou Tina, em entrevista coletiva.

Tina contou que Bibi, apesar de ter sido casada oito vezes, tinha como grande amor o público. “Ela sempre falou isso: Eu vivo para o meu público. Eles são o grande amor da minha vida. E que fiquem na lembrança deles, ela dizia, os trabalhos que eu fiz. O que eu pude dar, eu dei, de melhor”. Tina destacou outra frase que a mãe sempre repetia: “No palco, é o momento em que eu não sou atingida por nada. É o momento em que me encontro com Deus”.

As mensagens sobre Bibi, enviadas por vários colegas de trabalho, foram recebidas pela família como um grande alento. “Ela era muito querida”, observou Tina Ferreira.

Amiga
Segundo Tina, Bibi amanheceu bem, tomou o café da manhã e depois se queixou de falta de ar. Medida a pressão, verificou-se que a pulsação era fraca. Imediatamente, a família chamou o Pró Cardíaco. “Eles vieram muito rápido mas, quando chegaram, ela já tinha partido.”

O empresário de Bibi, Nilson Raman, disse que a atriz era uma amiga de longa data. “Era uma mulher simples, generosa, amiga. Era uma mulher que, quando entrava no teatro, não saía sem se despedir de todo mundo, para agradecer por aquele dia de trabalho, fosse a camareira, fosse o diretor. Ela sempre falava para mim que, para quem faz teatro, todo mundo é importante. Se não abrir a cortina, não tem show”.

Tina lembrou que a mãe sempre dizia que, para representar bem algum personagem, era preciso observar a vida e as pessoas. “É a melhor escola”. De acordo com Tina, nem os médicos entendiam como Bibi mantinha a voz conservada, apesar da idade avançada. “É um fenômeno da natureza”, diziam os médicos. Bibi atuou nos palcos até os 95 anos de idade. Em setembro do ano passado, divulgou nota, comunicando o afastamento da vida pública.

Como diretora, Bibi Ferreira era “amiga, mas severa”, afirmou Tina.

Grande dama
Em nota divulgada à imprensa, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, lamentou a morte da artista. “O teatro brasileiro perdeu hoje sua grande dama. Bibi Ferreira praticamente nasceu no palco e se tornou a referência maior de uma profissão que ela, como ninguém, honrou ao longo de nove décadas. Atriz, cantora, diretora, Bibi criou sua própria companhia teatral e formou talentos que também marcaram a dramaturgia brasileira. Agora, Bibi será lembrada por sua inesgotável paixão pelo ofício de representar, o que fez até recentemente”, cita o texto.