Bolsonaro reconhece dificuldade para aprovar Previdência este ano

De acordo com ele, é importante observar os dados com o “coração”

Presidente eleito Jair Bolsonaro. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, reconheceu hoje que há dificuldades em aprovar a reforma da Previdência ainda este ano. Segundo ele, a avaliação é do economista Paulo Guedes, que assume em janeiro o superministério da Economia e está à frente das principais negociações sobre o tema. Bolsonaro e Guedes se reuniram nesta segunda-feira no Rio de Janeiro.

“Ele [Paulo Guedes] está achando que dificilmente aprova alguma coisa este ano”, afirmou. “Não é esta a reforma que eu quero”, acrescentou o presidente eleito, confirmando que vai tomar café com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para conversar sobre o assunto. Também informou que vai “apertar a mão” dos colegas do Congresso Nacional.

Para Bolsonaro, a reforma precisa começar pelo setor público, considerado por ele deficitário. Também afirmou que não se deve pensar em uma reforma baseada apenas em cálculos e números. De acordo com ele, é importante observar os dados com o “coração”.

“Tem de olhar os números e o social também”, disse o presidente eleito. “É complicado, mas você tem de ter o coração nessa reforma”, acrescentou Bolsonaro. “Olhar os números de forma fria, qualquer um faz, nós não queremos isso.”

Bolsonaro criticou a existência de aposentadorias acima do teto constitucional, no setor público, que fixa como limite o salário dos ministros dos tribunais superiores (R$ 33,7 mil). “[Há] aposentadorias que estão aí até acima do teto, excessos de privilégios”, disse. “Tem que começar com a Previdência pública.”

O presidente eleito conversou com a imprensa ao sair de casa hoje, na Barra da Tijuca, para novamente ir à agência do Banco do Brasil sacar dinheiro. Foi a terceira vez que Bolsonaro saiu nos últimos dias para ir ao banco.

Temer

O presidente eleito também negou, hoje, para o site O Antagonista, que esteja discutindo a designação do presidente Michel Temer para ser o embaixador do Brasil na Embaixada de Roma a partir de 2019. A indicação, que vem sendo discutida nos bastidores, tira do emedebista os holofotes brasileiros e o mantém sob foro privilegiado.

Uma possível embaixada para Temer já é assunto dos círculos de conversa em Brasília desde maio. Temer responde a quatro quatro inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Em dois deles já foi denunciado, mas os processos foram paralisados por decisão dos deputados (votações da primeira e segunda denúncias).

Ao entregar a faixa a Bolsonaro e se não tiver cargo com prerrogativa de função, Temer volta para a primeira instância e pode acabar como outro ex-presidente: Lula, preso desde abril em Curitiba em função do tríplex do Guarujá.

Os rumores de que Temer pode vir a ocupar a Embaixada em Roma também decorre da dança de cadeiras dentro da diplomacia brasileira no exterior. A Embaixada de Roma é uma das poucas entre as de maior prestígio que não teve troca recente no comando. Antônio Patriota, que foi o chanceler brasileiro no governo Dilma, ocupa o posto desde 2016 e deve ser em breve substituído.