Hospital de São Leopoldo reforça pedido de escolta da BM após assassinato

Esse é o segundo comunicado enviado ao batalhão de São Leopoldo em dois dias

Apesar do crime, hospital mantém os atendimentos nesta sexta-feira | Foto: Guilherme Testa/CP

O Hospital Centenário reiterou, na manhã desta sexta-feira, o pedido de reforço da Brigada Militar na casa de saúde após um paciente ser executado por engano. Em ofício, enviado ao 25º Batalhão da BM de São Leopoldo, a instituição pede que a escolta seja reforçada enquanto o homem – que era o alvo dos criminosos – estiver internado.

O paciente, que estava sendo procurado pelos criminosos, deu entrada no hospital na quarta-feira, após sofrer uma tentativa de homicídio. Quatro homens invadiram a casa de saúde para tentar matá-lo, mas acabaram vitimando outro paciente. Gabriel Vilas Boas Minossi, de 19 anos, foi assassinado com 20 tiros.

Segundo o hospital, diversas ligações foram recebidas questionando o estado de saúde do paciente que seria o alvo dos criminosos. “Considerando que os criminosos já cometeram um homicídio de uma pessoa inocente e que, sabidamente, estão perseguindo seu desafeto, solicitamos a máxima atenção e proteção deste batalhão, para evitar que haja mais vítimas”, destaca a nota.

Ontem, o hospital já havia encaminhado um ofício ao 25º Batalhão de Polícia Militar solicitando o apoio. De acordo com o comandante do batalhão, Carlos Daniel Coelho, a BM foi à casa de saúde na tarde de quinta-feira e conversou com o paciente, que teria negado que estava sendo ameaçado de morte.

“Mesmo assim, fizemos ronda durante a noite. E assim permanecemos durante a madrugada. E quando saímos do hospital, meliantes entraram e acabaram vitimando outro paciente”, explicou.

Para o delegado Alexandre Quintão, que investiga o crime, o caso de custódia em hospitais é complicado. “Se todo mundo que for ameaçado for custodiado, as polícias não trabalham”, explica. Ele entende que situações assim deveriam ser padronizadas. “Indivíduos que dão entrada baleados e que têm passagem pelo sistema penitenciário devem ser levados para um hospital específico”, defende.

O ex-preso chegou a ficar no mesmo quarto que a vítima. Contudo, foi transferido para um quarto de isolamento “por medida de segurança interna”, de acordo com o hospital. “Pelo mesmo motivo, o leito ocupado por este paciente foi bloqueado, não sendo ocupado por nenhum outro paciente”, explica nota oficial divulgada pela casa de saúde.

Esse é o segundo assassinato de pacientes registrado no Hospital Centenário desde 2014. O outro caso ocorreu em 13 de junho de 2014. Segundo um levantamento do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), o Estado registrou 11 execuções de pacientes em cinco anos.