Enem deve tratar sobre “o que interessa”, defende Bolsonaro

Para o presidente eleito, escolha do futuro ministro da Educação é um desafio

Candidatos que pediram isenção da taxa devem fazer inscrição para prova da mesma forma. Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

A dois dias da aplicação das provas de matemática e ciências da natureza para os estudantes que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o presidente eleito Jair Bolsonaro disse que, ao assumir o governo, não vai permitir a inclusão de determinadas questões no exame nacional. As declarações foram feitas em transmissão ao vivo nas redes sociais, na tarde de hoje.

Ele voltou a criticar questões abordadas na primeira etapa dos testes. Segundo Bolsonaro, o Enem deve tratar sobre “o que interessa”, citando geografia e história, por exemplo. De acordo com ele, o Brasil é um “país conservador” e o objetivo dele, como presidente, é pacificar.

Na opinião de Bolsonaro, questões polêmicas podem gerar brigas e divergências desnecessárias e “nós não queremos isso.” Bolsonaro se referia à questão do caderno de linguagens que, no enunciado, mencionou o “pajubá, dialeto secreto de gays e travestis” como exemplo de patrimônio linguístico.

O presidente eleito condenou as discussões nas escolas sobre o que chama de ideologia de gênero. De acordo com Bolsonaro, a educação deve se preocupar em “ensinar”. “Que importância tem ideologia de gênero?”, reagiu. “Quem ensina sexo é papai e mamãe”, acrescentou o presidente eleito, olhando fixamente para a câmera.

Universidades
Para Bolsonaro, parte das universidades não se preocupa com educação. Ele citou uma visita feita à Universidade de Brasília (UnB), quando se disse surpreso com o que viu. ”Era maconha”, descreveu. “Preservativo no chão e cachaça na geladeira.”

O presidente eleito também criticou as pichações que, segundo ele, são frequentes em universidades. Para Bolsonaro, a escolha do futuro ministro da Educação é um desafio. “Educação é complicado”, desabafou.