BM sustenta que alvo real de execução no hospital Centenário desmentiu ameaças

Comando optou por rondas periódicas e, nesse intervalo, quadrilha matou paciente por engano

Apesar do crime, hospital mantém os atendimentos nesta sexta-feira | Foto: Guilherme Testa/CP

Após a execução de um paciente por engano dentro do Hospital Centenário, em São Leopoldo, no Vale do Sinos, o comando da Brigada Militar admite que houve erro de decisão após pedido de reforço policial na casa de saúde. A instituição solicitou apoio policial após o advogado de um criminoso baleado, internado no local, informar que o homem vinha sendo ameaçado. O comando, no entanto, optou por rondas periódicas após ouvir negativas sobre essas ameaças do próprio alvo da execução.

Dentro do intervalo dessas rondas ocorreu o assassinato de Gabriel Minossi, de 19 anos, também internado no Centenário para se recuperar de um acidente de moto. Ele era atendido na mesma ala do alvo real da tentativa de homicídio. Após as ameaças, esse homem foi encaminhado a outro setor, mas os bandidos invadiram o local errado e descarregaram armas de grosso calibre contra Gabriel, que não tinha nenhuma relação com o caso.

Para a polícia, o fato de o homem internado ter desmentido as ameaças levou o comando a optar por não manter um policial permanentemente no espaço. “A BM foi até o hospital, procurou a administração, fez os ajustes de procedimento e estabeleceu contatos, conversou com o criminoso, que diminuiu o teor das ameaças. A partir disso, da negativa da ameaça, o comandante teve de decidir se mantinha guarda no hospital e diminuiria o policiamento ostensivo. No dilema, o comando decidiu pelas rondas periódicas no hospital, e nesse meio tempo a vítima acabou sendo atingida”, admitiu o subcomandante da Brigada Militar, coronel Eduardo Biacchi.

Ele também reforçou que a simples presença de um policial no hospital não consegue evitar a morte de Gabriel: “o simples fato da presença do policial não teria necessariamente impedido o crime, já que se ele estivesse sob custódia o policial estaria junto com o preso, que não estava no local do crime. Ele não é um paciente que deveria estar no local, os nossos hospitais não têm estrutura pra isso”, lamentou.

Secretário da Segurança defende averiguar o caso

O secretário da Segurança Pública, Cezar Schirmer, afirmou que “as explicações (da BM) são convincentes, mas é preciso averiguar bem o que aconteceu”. Ele disse, ainda, que “o mundo do crime é ousado, cada vez mais agressivo. O fato de atacar alguém no hospital, e não é a primeira vez, revela a fragilidade decorrente de omissões do passado.” Schirmer comparou as ações a longo prazo com um fumante que morre de câncer após 20 anos de tabagismo: “as dificuldades não se materializam no dia do problema, são ações que decorrem de ações pretéritas”, ponderou.

De todo modo, Schirmer garantiu que a atual gestão “mudou a ótica de enfrentamento do crime no Estado”. Ele observou, contudo, que “não se muda a cabeça do criminoso da noite pro dia”. Por fim, disse que espera que o novo presidente da República mude a legislação federal, que conforme ele “é permissiva e estimuladora do crime”. “Se nós mudarmos a legislação e melhorarmos o sistema prisional essa realidade deve mudar”, finalizou.