Um em cada três clientes ignora valor da fatura do cartão de crédito

Sondagem constatou ainda que metade dos tomadores de empréstimos e financiamentos atrasaram, em algum momento, o pagamento de parcelas da dívida

Taxa média do rotativo do cartão de crédito subiu 2,6 pontos percentuais e atingiu 274% ao ano. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que um terço dos consumidores que usaram cartão de crédito no mês de agosto desconhece o valor da fatura. O Indicador de Uso do Crédito revelou também que 25% dos usuários dessa modalidade pagaram parcialmente as contas do cartão, enquanto 74% pagaram o valor integral da fatura (64% nas classes C e D).

De acordo com a pesquisa, 42% dos consumidores recorreram a algum tipo de crédito em agosto. A modalidade mais citada entre os entrevistados é o cartão de crédito, mencionado por 35%. Em seguida, aparece o crediário, com 9%, o limite do cheque especial (7%), e os empréstimos (6%).

A sondagem constatou ainda que metade dos tomadores de empréstimos e financiamentos atrasaram, em algum momento, o pagamento de parcelas da dívida, sendo que 21% ainda estão com prestações pendentes.

Sobre a disposição em cortar gastos, a pesquisa revelou que 55% dos consumidores pretendem diminuir as despesas em relação ao mês de agosto. Outros 36% sinalizaram manter o mesmo nível de gastos, enquanto 5% afirmaram ter a intenção de aumentar.

Limite do orçamento
O levantamento revela que oito em cada dez consumidores estão no limite do orçamento, sendo que desses, 38% estão no vermelho. Entre quem está abaixo do orçamento, metade deles cita a alta nos preços como a principal causa do desajuste, além da queda na renda (25%), perda do emprego (23%) e o descontrole nos gastos (13%).

Para o SPC Brasil, o uso do crédito exige cuidado e não pode funcionar como complemento de renda. A entidade ressalta ainda que a falta de disciplina no controle financeiro acaba comprometendo parte do orçamento por mais tempo do que o planejado. A causa são as renegociações, normalmente ampliando os prazos de pagamento.

A pesquisa abrange 12 capitais das cinco regiões. A amostra colheu 800 casos, integrada por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para baixo ou para cima.