
As reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangkok entre 12 e 18 de outubro, conectam os principais riscos da semana. Como destacou o Estadão, dívida crescente, juros altos, inflação associada às guerras e investimentos em IA estarão no centro das discussões. As projeções do fundo e os relatórios de estabilidade financeira e política fiscal permitirão avaliar como esses riscos se combinam. O debate sobre proteção às famílias também será relevante: a reportagem destaca a avaliação do FMI de que transferências temporárias direcionadas podem oferecer proteção com menor custo que subsídios amplos. Para o Brasil, isso ajuda a discutir a focalização e a duração das medidas de contenção dos combustíveis.
Conforme o analista da plataforma Investing.com, Leandro Manzoni, nos EUA, o CPI de setembro será divulgado quarta-feira, 14, às 9h30 de Brasília. O consenso disponível no Trading Economics indica alta de 0,6% no mês e 3,7% em 12 meses, ante 0,4% e 3,4% em agosto. Para o núcleo, espera-se 0,2% mensal e 2,5% anual, contra 0,3% e 2,4%. O quadro esperado combina aceleração do índice cheio e desaceleração mensal do núcleo, com aumento de sua taxa anual. A composição mostrará quanto da pressão permanece na energia e quanto alcança serviços e bens. O Fed mira a inflação medida pelo PCE, mas o CPI acrescentará evidências antes da reunião de outubro.
Na fala de 8 de outubro, Christopher Waller defendeu novas altas se os dados seguirem seu cenário, com flexibilidade no calendário e sem obrigação de reuniões consecutivas. John Williams, presidente do Fed de Nova York, já havia afirmado que a alta de setembro dava tempo para reunir informações. O CPI, o PPI, o varejo e o Livro Bege testarão esse espaço para esperar. Novas pressões disseminadas fortaleceriam os argumentos para apertar a política; uma composição mais benigna ajudaria a preservar a possibilidade de manutenção em outubro. A participação de Kevin Warsh, presidente do Fed, no FMI, sexta-feira às 0h30 de Brasília, será acompanhada nesse contexto.
França: o custo da dívida
A crise francesa expõe como juros maiores tornam o ajuste mais difícil. O governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu tenta aprovar o orçamento de 2027 com déficit de 5% do PIB, diante de protestos e fragmentação parlamentar. A Agência France Trésor prevê € 340 bilhões em emissões de médio e longo prazo, líquidas de recompras.
Segundo a Reuters, o ministro Roland Lescure sinalizou preferência por vencimentos menores na margem. O ministério esclareceu que a estratégia segue orientada pela demanda e que as emissões acima de 30 anos diminuíram. Encurtar prazos pode aliviar o custo inicial, mas aumenta a frequência do refinanciamento. A análise do Valor destaca que as propostas de Marine Le Pen, candidata de extrema-direita líder das pesquisas nas eleições presidenciais de 2027, não dissiparam as dúvidas. Capital Economics e TS Lombard questionam economias prometidas em conjunto com redução de impostos e benefícios previdenciários. O risco de contágio, especialmente para a Itália, dependerá da evolução francesa e das negociações orçamentárias.
No Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane defendeu em 5 de outubro uma avaliação conjunta de energia, inflação subjacente e transmissão monetária. Juros longos maiores também freiam atividade. Isabel Schnabel enfatizou, porém, que o banco precisa antecipar repasses persistentes. A energia influencia as decisões por seu efeito sobre a inflação projetada, sem automatizar uma alta em cada reunião.

