
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) inicia nesta terça-feira, 4, a quinta reunião de 2026, em meio às projeções do mercado financeiro para novos cortes nos juros e redução das expectativas sobre a inflação. A decisão sobre a Taxa Selic será anunciada na noite de quarta-feira (5), depois de dois dias de discussões acerca do cenário econômico nacional e internacional. A Selic está em 14,25% ao ano – menor patamar registrado em 2026, após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual promovidas pelo Copom nas reuniões de março, abril e junho.
A persistência da inflação acima da meta, a atividade econômica ainda resiliente e as incertezas no ambiente internacional têm levado o mercado a revisar expectativas para juros e câmbio ao longo do segundo semestre. O entendimento é que a autoridade monetária deve evitar sinalizações que indiquem uma flexibilização rápida da política monetária.
“O Banco Central entra nesta reunião com pouco espaço para surpresas. A leitura do mercado é de que a inflação continua exigindo cautela e que qualquer mudança de direção dependerá de uma melhora mais consistente das expectativas”, afirma Paulo Cunha, sócio do Grupo Fatorial.
Segundo o executivo, a comunicação do Copom será determinante para direcionar as apostas sobre os próximos meses. “Mesmo com a taxa estável, o comunicado pode alterar significativamente a percepção de risco. O mercado quer entender se o Banco Central considera o atual patamar de juros suficiente ou se ainda vê necessidade de manter uma postura restritiva por mais tempo”, acrescenta.
Há motivos para isso para este corte. Conforme Leandro Manzoni, da Investing.com, o IPCA-15 de julho avançou apenas 0,06%, bem abaixo da mediana de 0,22% do mercado. Em 12 meses, a inflação recuou de 4,80% para 4,52%, próximo da tolerância de 1,5 ponto percentual acima do centro da meta de inflação de 3%.
A composição também foi relativamente favorável. A média dos núcleos ficou em 0,21%, enquanto os serviços subjacentes avançaram 0,30%, ambos abaixo das projeções. A inflação dos bens industriais perdeu força, enquanto alimentos no domicílio e combustíveis recuaram.
“As condições fiscais também ganharam peso na avaliação da política monetária. O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho. Em 12 meses, o déficit nominal — que inclui os juros — chegou a R$ 1,318 trilhão, equivalente a 9,99% do PIB. A despesa nominal com juros alcançou 8,80% do PIB, enquanto a dívida bruta subiu para 81,9% do PIB, segundo o Banco Central”, diz Manzoni.
Já a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) insiste em reforçar é como a política monetária do BC está sendo usada como uma ferramenta de uma situação que não pode resolver: o quadro fiscal do País, o qual segue muito deteriorado.


