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Protagonistas: mulheres lideram ao menos 50% das agroindústrias no Rio Grande do Sul

Vencedores do 14° Concurso de Produtos da Agroindústria Familiar da Expointer 2026. Entre eles, Cátia Grespan, produtora de doce de leite – Foto: Paulo Garcia/Ascom Expointer

O Rio Grande do Sul tem pouco mais de duas mil e trezentas agroindústrias formalizadas. Do total, estima-se que 50% sejam lideradas por mulheres. A informação consta nos indicadores do Censo do Programa Estadual de Agroindústria Familiar (PEAF), iniciativa que reuniu as características produtivas, socioeconômicas e organizacionais do setor. O material contou com a apuração da engenheira de alimentos da Emater, Bruna Bresolin, integrante do grupo de pesquisadores.

Para ela, a evolução das empreendedoras no segmento ocorre paralelamente ao crescimento do setor. No Estado, a produção conta com mais de 30 categorias de alimentos, com forte demanda principalmente na área de panificados, com a oferta de pães, bolos, cucas e biscoitos, e também de lácteos, com comercialização de geleias, embutidos e derivados.

Bruna argumentou que a presença das mulheres junto aos negócios do campo sempre existiu, porém, em razão de uma série de fatores, entre eles, padrões culturais, o reconhecimento tem sido registrado recentemente.

O trabalho da mulher era visto como um trabalho complementar, de alguém que cuidava da casa e da família. Com o passar dos anos, segundo a especialista, o cenário tem apresentado mudanças, pois, para além do gerenciamento, elas também são as principais detentoras das receitas que alavancam os negócios.

Apesar da presença significativa no ramo, conforme Bruna, ainda é difícil sinalizar quantas mulheres ocupam de fato os postos de liderança, visto que muitas executam papéis na administração e na fabricação dos itens comercializados, mas com o nome do marido na documentação das marcas.

Outro ponto de destaque é o fato de que as mulheres têm reforçado a importância da implementação de tecnologia nos processos. De acordo com Bruna, são elas, em muitos casos, que tomam a frente para divulgação das agroindústrias nas redes sociais.
Segundo Bruna, apesar do diagnóstico favorável, o segmento ainda apresenta obstáculos, entre eles, a dificuldade para sucessão familiar.

Na lista de eventos que reforçam os dados analisados pelo Censo, está a Expointer, a maior feira de agronegócio a céu aberto da América Latina. Na edição deste ano, dos 509 expositores do Pavilhão da Agricultura Familiar, 109 eram mulheres. Na oportunidade, em entrevista à reportagem da Rádio Guaíba, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, destacou os motivos que têm contribuído para a curva crescente do protagonismo feminino.

No grupo de mulheres que tiveram o trabalho reconhecido na feira, está Cátia Grespan. Produtora de doce de leite, ela conduz uma agroindústria com familiares em Carlos Barbosa. Estreante na Expointer, a família conquistou o primeiro lugar no segmento, no 14º Concurso de Produtos da Agricultura Familiar. Ela ressaltou a importância do prêmio e também o cuidado na produção do alimento.

Para saber mais sobre o Censo do Programa Estadual de Agroindústria Familiar, acesse a página da Secretaria de Desenvolvimento Rural, no site do governo do Estado, em rs.gov.br.

Da redação, Vanessa Pedroso

No grupo de mulheres que tiveram o trabalho reconhecido na Expointer, está Cátia Grespan, produtora de doce de leite – Imagens: Vanessa Pedroso/Rádio Guaíba

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