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Preços da indústria sobem 1,54% em setembro, diz IBGE

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Os preços da indústria brasileira registraram alta de 1,54% em setembro de 2026, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP). O resultado representa aceleração em relação a agosto, quando a variação foi de 0,34%, e levou o acumulado do ano para 5,04%. Na comparação com setembro de 2025, o índice acumulou alta de 4,34%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 27, pelo IBGE.

O IPP mede a variação dos preços dos produtos na saída das fábricas, sem considerar impostos e fretes, acompanhando o comportamento dos preços nas indústrias extrativas e de transformação. Entre as 24 atividades industriais investigadas, 16 apresentaram aumento de preços em setembro, número superior ao observado em agosto, quando 13 segmentos haviam registrado alta.

O setor que mais influenciou o resultado do IPP em setembro foi o de fabricação de alimentos, que possui o maior peso no cálculo do índice e avançou 2,40%. Foi o quarto mês seguido de avanço no setor, que registrou crescimento no índice em seis dos últimos sete meses. Além de liderar a influência mensal, alimentos também apresentou a maior contribuição tanto para o acumulado do ano quanto para o resultado em 12 meses.

Segundo o gerente da pesquisa, Murilo Alvim, os produtos que mais impactaram o setor de fabricação de alimentos foram os derivados da soja e os açúcares, que tiveram seus preços pressionados por uma menor disponibilidade de oferta, principalmente em razão de fatores climáticos. “Excesso de chuva em algumas regiões produtoras e preocupações em relação ao alcance do El Niño ajudam a explicar as variações observadas nesses produtos. Nesse contexto, os preços do grupo de fabricação de óleos e gorduras vegetais e animais subiram 6,22% no mês, enquanto o de fabricação e refino de açúcar aumentou 6,55%, ambos ajudando a explicar a alta setorial”, afirmou.

SETORES

Embora tenha tido a maior contribuição, o setor de alimentos não foi o que registrou a maior alta. Os preços mais elevados dos óleos brutos de petróleo em setembro, impactados pela tensão no Oriente Médio, fizeram com que as indústrias extrativas registrassem a maior variação entre todas as atividades pesquisadas no IPP em setembro, com aumento de 11,04%. “[Os preços subiram] devido ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio, que voltou a ameaçar a oferta global e as rotas de transporte da commodity”, explicou Alvim.

Outros dois setores que tiveram impacto relevante no resultado geral da indústria são da cadeia produtiva do petróleo: o de refino de petróleo e biocombustíveis, que após quatro meses de quedas, registrou alta de 4,88% em setembro, e o de outros produtos químicos, que também interrompeu uma sequência de quedas (entre junho e agosto) e apresentou alta de 0,68% em setembro.

No setor de refino, o avanço em setembro foi explicado, segundo o gerente da pesquisa, pelos preços mais altos de produtos como querosene de aviação, gasolina e óleos combustíveis. No setor químico, os produtos da indústria petroquímica, como fabricação de resinas e elastômeros (alta de 2,02%), explicaram o resultado do mês.

Na ótica das grandes categorias econômicas, todas tiveram aumento de preço nos diferentes indicadores analisados. “O destaque vai para os bens intermediários, que, também puxados pelos preços mais altos do petróleo, apresentaram o maior avanço em todas as comparações, sendo uma alta de 1,94% na passagem de agosto para setembro, um aumento acumulado de 5,92% em 2026 e, por último, uma variação de 4,85% nos últimos 12 meses”, comentou Alvim.

No resultado mensal, além dos bens intermediários (1,94%), os bens de consumo avançaram 1,18% e os bens de capital registraram alta de 0,62%.

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