
O policial militar Cristiano Domingues Francisco voltou à delegacia na manhã de segunda-feira para novo ato no inquérito que apura o desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha. Após mais de duas horas no local, a defesa afirmou que o investigado optou por permanecer em silêncio e reiterou que ele é inocente.
Segundo o advogado Jeverson Barcellos, o comparecimento não teve caráter de depoimento formal, mas sim de acesso ao conteúdo do inquérito. “Ele vai permanecer em silêncio, vai se manter em silêncio. É uma questão processual, é o direito constitucional dele. Não quer dizer que isso demonstra alguma forma de culpa”, afirmou.
De acordo com o defensor, a estratégia ocorre porque a investigação ainda não está concluída. “É um processo muito complexo, em que ainda há provas e laudos a serem juntados. O melhor caminho, neste momento, é não adiantar a tese defensiva sem ter acesso a toda a prova”, disse.
Apesar de não ter prestado depoimento, a defesa foi categórica ao tratar da versão do policial. “Ele é inocente”, afirmou Barcellos. Segundo ele, a proximidade de Cristiano com a ex-companheira ajuda a explicar a presença do nome do PM na investigação.
O advogado também mencionou que a repercussão do caso influencia o momento da defesa. “Diante de toda essa situação e da opinião pública, não vemos benefício em adiantar a defesa sem acesso completo ao inquérito”, acrescentou.
Ainda conforme Barcellos, a ida à delegacia teve como objetivo permitir que o investigado analisasse as provas reunidas até agora. Segundo ele, o acesso anterior era limitado.
O advogado também confirmou que há um pedido de prisão preventiva no caso. Para a defesa, o movimento já era esperado. “Talvez seja o caminho óbvio. A autoridade já vinha dizendo há algum tempo que faria essa representação”, afirmou.
Ele ressaltou, porém, que a decisão não cabe à defesa. “Se é suficiente ou necessário, não é a defesa que vai dizer. Isso será analisado pelo Ministério Público e pelo Judiciário”, disse.
Relembre o sumiço da família Aguiar
Silvana desapareceu no dia 24 de janeiro. Na data, câmeras de segurança registraram duas entradas de um Volkswagen Fox vermelho no imóvel dela. Os registros mostram a chegada desse carro no portão, pelas 20h35min, com saída ocorrendo depois de aproximadamente oito minutos.
É possível ver na filmagem que, por volta das 21h28min, o carro branco de Silvana chega na casa, não saindo mais da garagem. Após, próximo às 23h30min, o tal Fox volta para a residência, onde fica por pouco mais de dez minutos, antes de deixar o local novamente. A 2ª DP de Cachoeirinha, à frente dos trabalhos, apura a identificação da placa desse automóvel, suspeitando de possível clonagem.
Na mesma data, um texto em nome de Silvana foi publicado nas redes sociais, relatando suposto acidente de trânsito que ela teria sofrido enquanto voltava de Gramado, na Serra gaúcha. A investigação aponta que tal colisão jamais aconteceu.
Isail e Dalmira desapareceram em 25 de janeiro, um dia depois da filha. Eles teriam sido alertados por vizinhos sobre a postagem do acidente. Ao tentarem registrar boletim de ocorrência, encontraram a DP fechada, decidindo então pedir ajuda ao ex-genro, por ele ser PM. Horas depois, foram vistos pela última vez, entrando em um veículo desconhecido.
Fonte: Guilherme Sperafico / Correio do Povo