
Um percentual de 87,4% das famílias gaúchas estavam endividadas em maio de 2026, avançando em relação a abril de 2026 (86,7%) e registrando a terceira alta consecutiva, além de superar o observado em maio de 2025 (86,0%). Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, e divulgada pela Fecomércio-RS, referentes a maio e divulgada pela Fecomércio-RS. A pesquisa considera apenas dívidas associadas à tomada de crédito — como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos —, não incluindo contas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia.
Quanto ao percentual de famílias com contas em atraso, a PEIC-RS identificou leve avanço, passando de 26,6% em abril de 2026 para 27% em maio de 2026, ficando também acima do observado em maio de 2025 (26,6%). O resultado foi influenciado principalmente pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos, cujo indicador avançou para 33% em maio de 2026, ante 32,1% em abril de 2026, superando também o observado em maio de 2025 (32,8%).
Já entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o percentual recuou para 6,6% em maio de 2026, frente aos 7,5% registrados em abril de 2026, embora tenha permanecido acima do observado em maio de 2025 (4,7%). O percentual de famílias que declararam não ter condições de regularizar nenhuma parte das dívidas em atraso, apesar de seguir em patamar historicamente baixo, apresentou nova elevação, registrando 1,9% em maio de 2026, ante 1,8% em abril de 2026, ficando também ligeiramente acima do observado em maio de 2025 (1,8%).
“Os resultados de maio de 2026 mostram a continuidade da aceleração do endividamento nos primeiros meses do segundo trimestre. O movimento sugere que as condições financeiras das famílias permanecem pressionadas, refletindo os efeitos da manutenção dos juros em patamar elevado e do aumento recente dos preços de itens relevantes na cesta de consumo das famílias. Em um contexto em que o comprometimento da renda segue elevado, esses fatores reduzem a capacidade de pagamento e dificultam o processo de reorganização financeira das famílias, contribuindo para a contínua alta do endividamento e da inadimplência”, avaliou Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP.


