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Operação apura esquema em que empresários teriam usado até pessoa cega e cadeirante para sonegar impostos no RS

Mandados foram cumpridos pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira Foto : Polícia Civil / CP

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira a Operação Obelisco, em Dom Pedrito, na região da Campanha, para investigar cerca de dez empresários suspeitos de participação em um esquema de fraude fiscal. A apuração é um desdobramento da Operação Acerto de Contas, que identificou um esquema estruturado a partir de um escritório de contabilidade sediado em Sapiranga, no Vale do Sinos.

Na ação desta terça-feira, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, com a participação de 30 policiais civis. Segundo a investigação, pelo menos 12 empresas estão envolvidas nas medidas. Os indícios de sonegação de impostos estaduais ultrapassam R$ 550 mil.

Conforme a Polícia Civil, os empresários investigados teriam recorrido ao auxílio de um contador para transferir empresas endividadas para o nome de terceiros, conhecidos como “laranjas”. Em seguida, teriam aberto novos negócios para continuar operando sem aparecer como responsáveis pelas dívidas anteriores.

O suposto esquema também envolveria a chamada “redução tributária”, expressão usada para se referir à sonegação de impostos. A investigação aponta situações em que pessoas em condição de vulnerabilidade teriam sido utilizadas como “laranjas”.

Em um dos casos, um empresário é suspeito de ter colocado uma empresa no nome do próprio filho, que tem autismo. Em outro, um investigado teria transferido uma empresa endividada para uma pessoa cega que utiliza cadeira de rodas.

Os administradores das empresas são suspeitos de crimes contra a ordem tributária e falsidade ideológica. A Polícia Civil busca reunir provas documentais, digitais, contábeis e financeiras, identificar outros possíveis beneficiários e dimensionar o prejuízo aos cofres públicos, além de buscar a responsabilização dos envolvidos e o ressarcimento dos tributos sonegados.

Desdobramento da Operação Acerto de Contas

A Operação Obelisco é conduzida pela Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro, vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (DERCAP), com apoio da Delegacia de Polícia Regional de Bagé.

A investigação original, denominada Operação Acerto de Contas, foi deflagrada em 28 de janeiro de 2026, em uma ação conjunta da Polícia Civil, do Ministério Público do Rio Grande do Sul e da Receita Estadual. Na ocasião, foram cumpridas 261 ordens judiciais, incluindo 31 mandados de busca e apreensão, 11 medidas de monitoração eletrônica, o sequestro de 14 imóveis, a apreensão de 30 veículos e o bloqueio de ativos financeiros de até R$ 225,4 milhões.

O principal investigado naquela fase, responsável por um escritório de contabilidade em Sapiranga, está preso preventivamente desde o início do ano. Segundo a Polícia Civil, diligências posteriores indicaram que os serviços oferecidos pelo grupo teriam alcançado empresários de diferentes regiões do Estado, incluindo Dom Pedrito.

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