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Moradores de São Jerônimo passam pela terceira enchente em um ano

Foto: Alina Souza / Correio do Povo

Pela terceira vez em um ano, o município de São Jerônimo, na região Carbonífera, passa por uma nova enchente, com o rio Jacuí cobrindo diversas ruas de áreas ribeirinhas. De acordo com a Defesa Civil municipal, apesar do nível continuar alto, a tendência é de estabilidade.

A última medição, feita às 15h, indicou que o nível do rio estava em 6,5 metros, dois acima da cota de inundação. Houve recuo de um centímetro desde a medição anterior, feira às 12h. Ainda segundo a Defesa Civil, até o momento, nenhuma família solicitou auxílio para remoção ou abrigo. Os moradores escolhem permanecer nas residências ou se abrigarem na casa de pessoas próximas.

Em ruas como Alberto Schneider, General Osório e Sete de Setembro, a água atinge metade das placas de trânsito. É possível ver muitos barcos transitando nas vias alagadas, com moradores que já estão se acostumando com a repetição dos eventos extremos.

A água forçou Olavo Jesus da Silveira, de 69 anos, a sair de casa pela terceira vez apenas neste ano, sem contar as diversas enchentes que enfrenta desde 2023. “Toda chuva tem que correr de casa”, diz. Morador da rua do Pescador, ele está abrigado na casa de um conhecido.

“Saí de casa ontem de manhã. A água já estava chegando no portão. Tirei minhas coisas, coloquei em partes altas e saí. Já tinha perdido tudo na enchente de 2024”, relembra.

Olavo lamenta não ter sido um dos contemplados pelo programa Compra Assistida, mesmo que sua rua sempre alague com as fortes chuvas.

“Antes, ficava um mês chovendo para a água atingir aqui. Agora, chove por um dia e a água já avança nas ruas”, diz Eduardo Cron Duarte, de 30 anos. Onde ele mora, a água ainda não chegou, mas destaca que acompanha o avanço e as frequências com que os alagamentos acontecem nos últimos anos.

Morador da rua General Osório, João Batista Correa dos Santos, de 44 anos, conta que a água já atingiu sua cozinha e sua sala. Porém, vai permanecer dentro de casa. “Nasci e me criei no rio”, justifica. “Fico aqui até o último momento”. Hoje, sua casa tem dois andares. O segundo foi construído após a enchente de 2024, quando precisou sair definitivamente. Hoje, a rua é praticamente deserta, já que os vizinhos abandonaram as casas.

João conta que, ali na rua, a água avançou uma quadra de um dia para o outro, mas que parece estar recuando. “Desceu uns 15 centímetros desde umas quatro da manhã”, estima.

Travessia de balsa suspensa

Por conta da elevação dos rios Taquari e Jacuí, a travessia de balsa entre São Jerônimo e Triunfo está suspensa nos dois sentidos, ainda por tempo indeterminado. Os serviços somente serão retomados após as condições serem consideradas seguras. Durante o dia, muitas pessoas se deslocaram até o local e foram surpreendidas com a interrupção. Na rua Flores da Cunha, próximo à beira do rio, há uma faixa que sinaliza o bloqueio.

Fonte: Letícia Pasuch / Correio do Povo

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