
O índice de preços ao produtor de agosto nos Estados Unidos será divulgado na quinta-feira, 10, seguido pelo CPI na sexta-feira, 11. A mediana das projeções aponta para alta de 0,4% do índice cheio ao consumidor no mês, após 0,1% em julho, mantendo a inflação anual em 3,4%. Para o núcleo, que exclui alimentos e energia, o mercado espera avanço de 0,2% no mês, repetindo a leitura anterior. A taxa anual deve recuar de 2,5% para 2,4%, o que representa melhora marginal, mas talvez não seja suficiente para convencer os membros do Fed de que há um processo de desinflação robusta.
Há uma distinção importante entre as duas medidas. A desaceleração anual do núcleo refletiria, em parte, efeitos de comparação. Na margem, uma alta de 0,2% ainda manteria um ritmo incompatível com uma convergência rápida e inequívoca para a meta de 2%, especialmente em um contexto de petróleo mais caro e possível pressão sobre transportes, combustíveis e custos de produção.
“O PPI ajudará a mostrar se os custos de energia e de insumos começaram a avançar nas etapas anteriores da cadeia. A expectativa é de alta de 0,4% no índice cheio e de 0,3% no núcleo. O dado não determina automaticamente o CPI, mas uma surpresa altista reforçaria a preocupação com a transmissão do choque de commodities”, diz Leandro Manzoni, da plataforma Investing.com.
EMPREGO
O payroll, divulgado na última sexta-feira, reduziu a urgência de o Fed se preocupar com uma deterioração aguda do emprego. Os Estados Unidos criaram 162 mil vagas em agosto, quase três vezes as 55 mil esperadas. Junho e julho foram revisados para cima, a taxa de desemprego permaneceu em 4,1% e os salários avançaram 0,3% no mês.
Com um mercado de trabalho mais sólido, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, em inglês) tem maior liberdade para concentrar sua atenção na inflação. Após o relatório de emprego, a UBS passou a projetar duas altas de 0,25 ponto percentual em 2026 — setembro e dezembro — depois de ter trabalhado anteriormente com manutenção dos juros.
O FedWatch indicava, na segunda-feira, cerca de 60% de probabilidade de uma elevação em setembro. O percentual não representa certeza, mas mostra que a reunião voltou a ser disputada depois de uma fase em que a manutenção parecia mais provável.
Para o analista, o cenário-base se deslocou para uma alta de 0,25 ponto na taxa, hoje entre 3,50% e 3,75%. Uma inflação muito abaixo do esperado, particularmente no núcleo, ainda poderia justificar uma espera. Mesmo nesse caso, a possibilidade de pelo menos uma elevação até dezembro permaneceria relevante. “Se o CPI vier próximo ou acima do consenso, a combinação entre inflação persistente, emprego resiliente, petróleo caro e riscos geopolíticos tende a favorecer o aperto em setembro e manter dezembro no radar enquanto não houver redução consistente do risco energético”, comenta Manzoni.

