
A exploração de pontos sensíveis dos adversários e a troca constante de investidas de parte a parte deram o tom do debate realizado nesta quarta-feira pela Federasul com Juliana Brizola (PDT), Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB), pré-candidatos ao governo do Estado.
Dividido em cinco blocos, dos quais dois dedicados a considerações iniciais e finais, e com o pré-candidato do PL, o deputado federal Luciano Zucco, ausente, havia quem considerasse antecipadamente que o encontro poderia ser ‘morno’, com os concorrentes fornecendo respostas genéricas sobre temas variados.
O que aconteceu foi o contrário. Os três usaram até as considerações iniciais e finais para assinalar quais serão suas prioridades, mesmo sem maiores explicações ou detalhamentos, para cobrar contradições dos oponentes ou para rebater afirmações dos companheiros de púlpito. Juliana e Gabriel chegaram a travar, em diversos momentos, interações paralelas fora do microfone.
Tanto o emedebista quanto o tucano adotaram a tática de vincular a pedetista ao governo do presidente Lula, e criticar a ausência de ações mais efetivas do governo federal em áreas como saúde e segurança. Juliana ironizou os adversários, dizendo que o Estado precisa de liderança política, e lembrou que o novo programa de renegociação da dívida do RS é iniciativa do governo federal.
A pedetista também provocou o vice-governador, quando assinalou que ele integra um projeto que está há 12 anos à frente do governo gaúcho, e que aumentou impostos duas vezes. “E queria aumentar a terceira”, arrematou. Gabriel respondeu que Juliana escolheu para coordenar as propostas para a área de finanças o técnico que defendeu aumento de impostos na administração Sartori, e lembrou da participação do PDT no governo Eduardo Leite.
Os embates não ocorreram só com Juliana. Maranata, ao citar o programa RS Seguro, do governo estadual, disse que a iniciativa começou de fato quando Tarso Genro (PT) era ministro da Justiça. E surpreendeu a plateia ao fazer cobranças duras ao vice-governador sobre o que definiu como inexistência de obras de contenção contra novas enchentes. Gabriel rebateu que os projetos estão em andamento e que recursos foram repassados também aos municípios. E os dois passaram a travar uma discussão sobre a necessidade ou não de licitação para os projetos.
Mesmo ausente, Zucco não escapou das cobranças. Gabriel e Maranata ironizaram o que apontaram como receio do deputado em debater. Oficialmente, a equipe de Zucco justificou a ausência argumentando sobre a necessidade de ele acompanhar, no Senado, a votação do projeto de renegociação das dívidas dos produtores rurais.
Além da prevenção a novas enchentes, os temas que permearam o debate foram a dívida do RS com a União, as filas da saúde, os feminicídios, os índices da educação, e a capacidade de atração de investimentos. Na próxima semana, a Federasul vai realizar um debate entre os pré-candidatos a vice-governador.
Fonte: Flávia Bemfica / Correio do Povo