
Prossegue o processo de definição do equipamento público que será construído na área do antigo edifício Galeria XV de Novembro, o Esqueletão, no Centro Histórico de Porto Alegre, e cuja demolição terminou em outubro de 2025. De acordo com a Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão (SMPG), se mantém a intenção de um centro social integrado, de dez a 14 andares, abaixo dos 19 pavimentos originais do antigo prédio, e entre 8 mil e 10 mil metros quadrados, respeitando as diretrizes urbanísticas da área.
Ela será uma nova estrutura, de nome ainda indefinido, com foco em áreas de assistência social, cultura, educação, saúde e capacitação profissional. A Prefeitura estima um leque de cerca de 70 a 80 alternativas de ocupação, que podem incluir escolas de música e dança, bibliotecas, estúdios de gravação, atendimento odontológico, além de um terraço com restaurante e praças elevadas para a convivência. Ao todo, serão sete centros espalhados por Porto Alegre, com inspiração em iniciativas de Recife e Medellín.
O do Centro Histórico terá abrangência para toda a cidade, enquanto os demais seis serão menores e ficarão em territórios específicos com maior vulnerabilidade social. Para consolidar esta definição, e para evitar sobreposição de atividades com serviços já existentes no Centro Histórico, a Prefeitura contratou uma pesquisa socioeconômica com duração de 90 dias. “Ali não haverá repartições ou órgãos burocráticos, mas sim ações da Prefeitura em prol da população”, disse o titular da SMPG, Cezar Schirmer.
De concreto, o projeto conta com financiamento do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), no valor de R$ 50 milhões, dentro da carteira de investimentos do POA Futura. Atualmente, a Administração trabalha na desapropriação de propriedades vizinhas, e está iniciando o projeto arquitetônico do novo equipamento com uma empresa também contratada. O desenvolvimento deve durar ainda seis meses, mantendo o prazo para publicação da licitação até o final do ano ou começo de 2027.
Com isso, segue em andamento a elaboração do Termo de Referência que deve embasar o edital, mas, antes, é necessário que o CAF leia e aprove, o que pode modificar os prazos iniciais. “Nosso desejo é que seja um prédio esteticamente icônico, bonito, diferenciado no Centro, porque ali é uma área nobre, que substitui aquele prédio deteriorado e sem uso por tantos anos. Queremos que o sucessor dele seja algo marcante”, acrescentou Schirmer. A área já é considerada de utilidade pública, após decreto do prefeito Sebastião Melo publicado em novembro de 2025.
A demolição do Esqueletão, iniciada em janeiro de 2024, teve custo de R$ 4,9 milhões, e o prédio em si havia sido construído na década de 1950, porém nunca concluído. Além da retirada dos pavimentos, processo que gerou 6.318 toneladas de entulho e 159 toneladas de sucata, há ainda um impasse relacionado às dívidas de cerca de R$ 5 milhões em IPTU pelos antigos proprietários do edifício, valor que precisará ser ressarcido por eles, além da conta da própria demolição e laudos necessários. O processo está sendo conduzido pela Procuradoria-Geral do Município (PGM).