
A orla de Guaíba, na região Metropolitana, registra acúmulo de 28 mil metros cúbicos de troncos de árvores, vegetação e outros resíduos. O material foi arrastado pelas correntezas dos rios com as chuvas intensas que atingiram o Rio Grande do Sul a partir da segunda quinzena de julho. A Prefeitura de Guaíba informou nesta segunda-feira que formalizou um termo de cooperação com o governo do Estado para a realização da limpeza.
O acordo prevê o apoio do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedur), na contratação de serviços e equipamentos com horas-máquinas necessários para a remoção dos materiais acumulados e manutenção da infraestrutura. Na sexta-feira, equipes realizaram vistorias nos locais afetados para avaliar o volume e as características dos resíduos. A prefeitura informou que os trabalhos da empresa contratada pelo Estado devem começar ainda nesta semana.
A prefeita de Guaíba, Claudinha Jardim, afirmou que “a união de esforços com o governo do Estado é indispensável”, já que o município não está sob decreto de calamidade pública e, por isso, não tem acesso automático a verbas emergenciais federais e estaduais destinadas exclusivamente a cidades nesta condição.
Uma primeira etapa da limpeza ocorreu entre os dias 24 e 26 de julho, quando mais de 220 toneladas de resíduos haviam sido removidas. A ação precisou ser interrompida temporariamente, segundo a prefeitura, por falta de recursos e equipamentos adequados. Durante o período de pausa, o município manteve contato direto com o Estado para viabilizar a parceria e retomar os trabalhos.
Cenas impressionam
Na praia da Alegria, em meio à grande quantidade de troncos acumulados, também é possível encontrar resíduos urbanos, como plásticos, brinquedos e sapatos, além do material vegetal trazido pelas correntezas. O cheiro forte atrai urubus, que nesta segunda-feira se alimentavam da carcaça de um animal no local.
A situação chama atenção de moradores e visitantes. A contadora mineira Elisa Cordeiro, que mora há seis anos em Guaíba, esteve na manhã desta segunda-feira na orla da avenida Getúlio Vargas acompanhada do pai, que veio de Minas Gerais para visitá-la.
“Nunca tinha visto isso nesta proporção, nem em 2024”, comentou Elisa. Ela lembra que, no início daquele ano, os pais foram visitá-la e se assustaram com uma cheia de menor proporção. Na ocasião, chegaram a pedir que ela deixasse a casa onde morava às margens do Guaíba, o que acabou acontecendo cerca de um mês antes da enchente de maio de 2024.
Apesar do impacto causado pelo cenário atual, Elisa afirma que a situação estava ainda pior na semana passada, mas que uma grande quantidade de resíduos já foi retirada. Moradores antigos também relatam que o episódio é inédito. O servidor público Eduardo Borba, que vive há 50 anos no município, afirma nunca ter visto uma cena semelhante na orla de Guaíba.
“Chega a dar uma tristeza olhar para isso. Um lugar que recebia excursões de tão lindo que era, ficava cheio de banhistas. Agora está assim, destruído”, afirmou o morador.
Fonte: Camila Mendes / Correio do Povo


