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Estudo aponta que beneficiários do Bolsa Família se destacam na procura por empregos formais

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Os beneficiários do Bolsa Família responderam por aproximadamente 4,6 milhões de postos, equivalentes a 85,18% do saldo líquido de empregos formais registrado no Brasil entre janeiro de 2023 e julho de 2026, segundo estudo do Centro de Estudos Empíricos em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV CEEE). Entre os beneficiários que contribuíram para esse resultado, destacam-se jovens, mulheres, pardos e com ensino médio completo.

A análise foi realizada a partir do cruzamento de registros administrativos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) com informações do Cadastro Único e do Programa Bolsa Família. Os resultados permitem acompanhar a participação dos beneficiários nos fluxos de entrada e saída do mercado de trabalho formal ao longo do período.

O levantamento mostra que os beneficiários do Bolsa Família representaram 16,72% das admissões registradas no Caged, mas apenas 12,46% dos desligamentos. A diferença entre esses dois fluxos fez com que o grupo respondesse por 85,18% do saldo líquido de empregos formais observado no período. Para o coordenador do FGV CEEE e um dos autores do estudo, Valdemar Pinho Neto, os resultados mostram que o mercado de trabalho formal está conseguindo incorporar uma parcela relevante de pessoas em situação de vulnerabilidade.

“O Bolsa Família tem um papel importante ao garantir uma proteção de renda e, ao mesmo tempo, permitir que essas pessoas tenham condições de buscar e alcançar uma oportunidade no mercado de trabalho formal, sem que a entrada no emprego signifique necessariamente a perda imediata dessa proteção. É um resultado que reforça a importância de combinar transferência de renda e inclusão produtiva”, afirma Neto.

EMPREGO FORMAL

O estudo também identifica diferenças importantes no perfil dos beneficiários associados à expansão do emprego formal. Entre as diferentes faixas etárias, os jovens de 18 a 24 anos respondem por 40,52% do resultado observado. No recorte por raça ou cor, trabalhadores pardos representam 62,71%. As mulheres correspondem a 55,40% e, entre os diferentes níveis de escolaridade, trabalhadores com ensino médio completo respondem por 78,24% do resultado. Os números evidenciam uma presença expressiva justamente de grupos que tradicionalmente enfrentam maiores desafios de inserção e permanência no mercado de trabalho.

A participação dos beneficiários também varia entre as Unidades da Federação. Em números absolutos, São Paulo concentra o maior saldo de postos formais ocupados por beneficiários do Bolsa Família, com aproximadamente 1,09 milhão de empregos líquidos. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 448 mil; Rio de Janeiro, com 376 mil; Bahia, com 354 mil; e Paraná, com 234 mil. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os números absolutos devem ser interpretados levando em consideração o tamanho dos mercados de trabalho de cada estado.

Em todas as Unidades da Federação, o número de admissões de beneficiários do Bolsa Família superou o de desligamentos no período analisado. Em alguns estados, sobretudo no Nordeste, a participação dos beneficiários no saldo líquido de empregos formais também se destacou quando considerada em termos relativos.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados devem ser interpretados como uma fotografia da inserção dos beneficiários do Bolsa Família no mercado de trabalho formal brasileiro, e não como uma avaliação causal dos efeitos do programa. A análise não permite afirmar que o Bolsa Família, isoladamente, tenha provocado a criação desses postos de trabalho. O estudo também não investiga, nesta etapa, dimensões como a qualidade das vagas, a estabilidade dos vínculos, a evolução dos salários ou o tempo de permanência dos trabalhadores no emprego.

Ainda assim, os resultados revelam que uma parcela expressiva da expansão recente do emprego formal brasileiro ocorreu entre pessoas atendidas pelo programa de transferência de renda. Para os pesquisadores, as evidências reforçam a importância de políticas capazes de articular proteção de renda e inclusão produtiva, combinando instrumentos como qualificação profissional, intermediação de mão de obra e políticas de permanência no emprego. A presença expressiva de jovens, mulheres, trabalhadores pardos e pessoas com ensino médio completo entre os beneficiários que ingressaram no mercado formal também ajuda a identificar grupos para os quais esse tipo de política pode ser particularmente relevante

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