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Empresa inicia em Campo Bom primeira produção comercial de E-TPU da América Latina

Crédito: Freepik

A FCC iniciou, em Campo Bom (RS), a produção da primeira fábrica da América Latina dedicada ao poliuretano termoplástico expandido, o E-TPU. O material é utilizado principalmente em entressolas de calçados esportivos de alta performance e casuais. Com investimento de R$ 20 milhões, a nova unidade traz ao Brasil uma tecnologia até então dependente de importações e amplia a capacidade da indústria de produzir calçados com maior leveza, conforto e retorno de energia.

A primeira fase da operação tem capacidade produtiva de 150 mil quilos de E-TPU por mês, volume suficiente para a fabricação de cerca de 1,5 milhão de pares de calçados. A estrutura foi projetada em módulos e conta com espaço para a instalação de um novo reator, permitindo ampliar a produção de acordo com o crescimento da demanda.

Até agora, fabricantes brasileiros interessados no E-TPU dependiam da importação do material expandido ou de solas prontas, produzidas principalmente na Ásia. A baixa densidade do produto, entretanto, tornava essa operação especialmente onerosa, elevando significativamente o custo logístico e limitando a adoção da tecnologia a produtos de maior preço. Com a produção no Brasil, os calçadistas reduzem essa restrição e passam a ter condições de aplicar o E-TPU em uma parcela maior de sua produção.

“A relevância deste investimento vai além da implantação de uma nova linha industrial. Estamos internalizando uma tecnologia estratégica, formando competências técnicas no Brasil e criando condições para que nossos clientes desenvolvam produtos de maior valor agregado com mais proximidade, segurança de fornecimento, capacidade de customização e maior competitividade”, afirma Marcelo Reichert, CEO da FCC. “Na prática, isso significa maior acesso a materiais de alta performance para o calçado nacional”, sintetiza.

Salto para a indústria nacional

A nova planta representa uma nova etapa do projeto apresentado pela FCC ao mercado em 2025. Enquanto preparava a estrutura industrial, a empresa iniciou a comercialização de E-TPU importado para permitir que fabricantes de calçados e empresas transformadoras desenvolvessem produtos e validassem aplicações.

Com a entrada em operação da fábrica, essa oferta se multiplica e pode fortalecer fabricantes nacionais e criar oportunidades para a exportação de componentes prontos, especialmente para outros países da América Latina, que também dependem da importação de E-TPU.

O material também apresenta vantagens de processo. O E-TPU gera perdas muito reduzidas em comparação com o EVA — amplamente utilizado na produção de entressolas —, e pode ser reaproveitado na fabricação de TPU ou incorporado a um novo ciclo produtivo. Com isso, aumenta o valor agregado dos calçados brasileiros.

O E-TPU é obtido pela expansão do poliuretano termoplástico em pequenas partículas, posteriormente termoconformadas para a fabricação de entressolas e outros componentes. Entre suas principais propriedades está o retorno de energia, ou rebound: o material absorve parte do impacto durante a caminhada ou a corrida e devolve essa energia no movimento seguinte. Por dominar a tecnologia da matéria prima (TPU) e da expansão do material (E-TPU), a FCC tem ao seu dispor todas as ferramentas necessárias para criar E-TPUs com diferentes propriedades e customizações com proximidade ao mercado, uma verticalização muito difícil de ser replicada.

“O domínio da matéria-prima e do processo de expansão nos dá condições de trabalhar junto aos clientes desde a formulação até o desempenho final do calçado. Esse conhecimento é o principal diferencial do projeto e reforça nossa estratégia de inovação aplicada à indústria”, complementa Francisco Gonçalves, Diretor de Negócios da FCC.

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