
A semana econômica será marcada pelo feriado de Corpus Christi no Brasil, que reduz o ritmo da agenda doméstica. Entretanto, o exterior compensa com uma sequência relevante de indicadores e discursos de autoridades monetárias. O principal destaque será o relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll de maio, acompanhado por falas de dirigentes do Federal Reserve. Em conjunto, esses eventos tendem a calibrar as apostas do mercado para a política monetária americana no segundo semestre.
No Brasil, o feriado de Corpus Christi na quinta-feira, 4, concentra os principais dados no início e no meio da semana. O Boletim Focus desta segunda-feira, 1º, trará as projeções do mercado financeiro para PIB, Selic, câmbio e inflação, com atenção especial às expectativas de inflação para 2027 e 2028 e à trajetória esperada para a Selic.
“A inflação de 2028 merece monitoramento particular. Embora esteja além do horizonte relevante do Copom — atualmente em dezembro de 2027 —, a desancoragem das expectativas mais longas já aparece entre as preocupações do colegiado e pode influenciar a comunicação do Banco Central”, diz Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.
Na quarta-feira, 3, a produção industrial de abril inaugura a leitura dos dados de atividade do segundo trimestre. O ponto central será avaliar se a indústria mantém o fôlego observado no primeiro trimestre, quando a transformação e a construção civil contribuíram para o avanço do setor no período. No mesmo dia, a balança comercial de maio deve ajudar a dimensionar o impacto da conta petróleo sobre o superávit comercial brasileiro no quinto mês do ano.
ESTADOS UNIDOS
No Fed, o pano de fundo é uma divisão crescente entre os dirigentes. De um lado, estão os que avaliam que a taxa de juros já se encontra em patamar adequado — levemente restritivo — diante do choque do petróleo e da dissipação gradual dos efeitos tarifários nos índices de inflação, reforçando o monitoramento dos efeitos da alta do preço enquanto permanece o estrangulamento do fluxo petrolífero no estreito de Ormuz. De outro, estão os que demonstram maior preocupação com a possibilidade de repasse dos custos de energia para outros preços da economia e não descartam uma nova alta de juros, ainda que essa hipótese não pareça fazer parte do cenário imediato de política monetária.
A primeira aparição pública de Jerome Powell após o fim de seu mandato como presidente do Fed, no domingo, abre essa rodada de discursos em uma semana particularmente sensível para os mercados. No mercado de trabalho, o payroll de sexta-feira devem indicar moderação, mas sem necessariamente apontar para enfraquecimento relevante da economia. A dinâmica do emprego ainda parece forte o suficiente para sustentar a postura atual da política monetária americana.
Os PMIs, por sua vez, devem confirmar o sinal já indicado pelas prévias: perda de fôlego em serviços, maior resiliência da indústria e persistência de pressões de custos. “O Livro Bege, também na quarta-feira, completa o quadro ao oferecer uma leitura qualitativa da economia real, especialmente sobre mercado de trabalho, consumo e custos no contexto do choque do petróleo”, diz Manzoni.


