
O governo brasileiro avalia que a nova taxação imposta pelos Estados Unidos vai provocar efeitos limitados sobre as exportações do país, já que apenas 18% das saídas de produtos para os norte-americanos serão realmente afetadas na prática. No entanto, existe uma preocupação com a indústria nacional, uma vez que a maior parte dos artigos nesse setor não entrou para a lista de exceções, e a apreensão é maior com as empresas que são mais dependentes do mercado norte-americano.
Entre os produtos que ficaram de fora, estão as máquinas, alumínio e aço, calçados e automóveis. Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços sobre a balança comercial entre os dois países apontam que o Brasil importou US$ 1,5 bilhão a mais dos Estados Unidos do que exportou no primeiro semestre deste ano.
O economista e coordenador acadêmico da FGV, Mauro Rochlin, explicou que, há 20 anos, o mercado norte-americano era responsável por cerca de 25% de todas as exportações brasileiras. Atualmente, no primeiro semestre de 2026, a importação americana tem um peso de apenas 9% do total do que o Brasil exporta, o que representaria uma “queda muito expressiva” em 20 anos.
Mauro relembra que, quando as tarifas dos EUA sobre o Brasil começaram a ser aplicadas há um ano e meio no chamado “dia da libertação”, a queda era de cerca de 12%. Desde então, “as tarifas intensificaram esse processo de diminuição da relevância das exportações norte-americanas”. No entanto, o economista acredita que 9% ainda seria uma quantia muito significativa, e, “de forma estratégica, o mercado nos interessa demais. Essa diplomacia empresarial precisa ser realizada de maneira robusta, ao lado da diplomacia do Estado”.
(*) com R7


