
O Monitor do PIB-FGV aponta crescimento de 0,5% na atividade econômica em agosto em comparação a julho, na análise da série com ajuste sazonal. Na comparação interanual, a economia cresceu 1,5% em agosto e 1,7% no trimestre findo em agosto. A taxa acumulada em 12 meses até agosto foi de 1,8%. Em termos monetários, estima-se que o PIB acumulado até agosto de 2026, em valores correntes, tenha sido de 9,020 trilhões de Reais. Os dados foram divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre)
“O crescimento de 0,5% da economia brasileira em agosto, na comparação com julho, reverte as taxas negativas dos últimos dois meses. Pelo lado da oferta, este resultado reflete o crescimento da indústria extrativa e a continuidade da expansão da atividade de serviços. Pela ótica da demanda, a despeito da desaceleração do consumo das famílias, atuaram positivamente as exportações e o consumo do governo. Em um contexto de inflação persistente, que obriga uma política monetária contracionista, a economia apresenta capacidade de recuperação.”, segundo Claudio Considera, pesquisador associado do IBRE.
O resultado refletiu principalmente a contribuição positiva dos produtos duráveis, parcialmente revertido pelos impactos negativos dos produtos não duráveis e semiduráveis, enquanto os serviços apresentaram contribuição próxima de zero. Nos trimestres móveis mais recentes, observa-se redução da contribuição dos serviços para o crescimento do agregado, ao passo que os produtos duráveis permaneceram como o principal componente positivo. Dessa forma, o consumo das famílias manteve no trimestre findo em agosto a menor taxa de crescimento observada desde o trimestre móvel findo em outubro de 2025.
O resultado foi sustentado principalmente pelas contribuições positivas da Construção e do componente Outros, que mais do que compensaram o impacto negativo de Máquinas e equipamentos. Nos trimestres móveis mais recentes, observa-se fortalecimento da contribuição da Construção para o crescimento da FBCF, enquanto Máquinas e equipamentos permaneceu exercendo influência negativa sobre o agregado, embora em menor intensidade. Com isso, a FBCF manteve a trajetória de recuperação observada desde o segundo trimestre de 2026.
Exportação
O resultado foi sustentado principalmente pelas contribuições positivas das exportações de serviços, dos bens intermediários e dos produtos agropecuários. Em relação aos trimestres móveis anteriores, destaca-se a redução do impacto negativo da extrativa mineral sobre o agregado, que passou a apresentar contribuição ligeiramente positiva. Esses movimentos contribuíram para a aceleração das exportações, que avançaram de 0,4% para 2,5% no trimestre móvel findo em agosto.
O crescimento refletiu principalmente as contribuições positivas das importações de serviços, dos bens de consumo e dos bens de capital, parcialmente revertidas pelo impacto negativo dos bens intermediários. Em relação aos trimestres móveis anteriores, observa-se aumento da contribuição dos serviços e dos bens de capital para o crescimento do agregado, enquanto os bens intermediários permaneceram exercendo influência negativa. Com isso, as importações aceleraram após o crescimento de 4,0% registrado no trimestre móvel findo em julho.

