
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de reduzir em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, que passará de 14,50% para 14,25% ao ano conforme comunicado desta quarta-feira, 17, é a terceira vez consecutiva que o comitê adota o recuo dos juros e confirma a expectativa do mercado anterior ao encontro. A conhecida Super-Quarta também incluiu a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de manter o patamar da taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,5% e 3,75. A decisão do Fomc (Federal Open Market Committee) comandada por Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve, foi em linha com as expectativas do mercado.
O BC brasileiro utiliza a Selic, os juros básicos da economia, como um instrumento para reduzir o ritmo da atividade econômica e, com isso, tentar controlar a inflação. Quando o juro sobe ou fica alto por muito tempo, o crédito encarece, ficando mais caro para quem compra no cartão, nas parcelas de produtos e no financiamento de imóveis, levando a uma perda de força no consumo. Quando há redução, a perspectiva é de estímulo para a economia e de um menor risco de descontrole nos preços.
Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), decidiu ocorreu mesmo diante da piora das expectativas de inflação, das incertezas que ainda cercam o cenário internacional e doméstico e da resiliência da atividade econômica brasileira. Segundo o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, a decisão é acertada neste momento, mas o corte ainda é insuficiente e deve ser intensificado nas próximas reuniões . “A indústria gaúcha enfrenta um cenário desafiador, marcado pelo aumento dos custos decorrentes dos efeitos da guerra no Oriente Médio, pelas preocupações com a possibilidade de um forte El Niño e pelas discussões em curso no Senado sobre a redução da jornada de trabalho, que podem trazer novos custos e desafios para o setor produtivo”, diz.
Para o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, a perspectiva de encerramento do conflito no Oriente Médio reduz as pressões sobre o cenário prospectivo, tornando o ambiente internacional mais benigno ao diminuir os riscos de novas elevações das taxas de juros no exterior,, embora persistam contudo, a inflação de serviços, as incertezas relacionadas aos efeitos do El Niño sobre a dinâmica dos preços dos alimentos e, especialmente, da energia elétrica, bem como os impactos decorrentes do crônico desequilíbrio fiscal do país. “Nesse contexto, embora consideremos que as taxas de juros no Brasil se encontram em patamares historicamente elevados, restringindo a atividade produtiva e reduzindo a capacidade de consumo das famílias em razão do elevado comprometimento da renda com o serviço da dívida, compreendemos a postura do Banco Central de acompanhar a evolução do cenário antes de se comprometer com uma trajetória específica para a política monetária”, diz o dirigente.
Na reunião anterior, em abril, o comitê apontou como justificativa para um ritmo menor na queda dos juros as incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e as expectativas para inflação em alta por período mais prolongado. De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom iniciou o corte dos juros em março, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta a queda da taxa.
(*) com Agência Brasil


