
Em julho, o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$21,9 trilhões (164,9% do PIB), com avanço mensal de 0,1%. Esse resultado refletiu, principalmente, os aumentos de 0,5% em títulos públicos, 0,4% em empréstimos do SFN e 1,3% em títulos de dívida securitizados, que se sobrepuseram ao recuo de 2,4% em empréstimos externos, decorrente em grande parte da apreciação cambial de 1,92% no mês. Em doze meses, houve crescimento de 11,9%, destacando-se os crescimentos de 17,2% em títulos públicos, 9,3% em empréstimos do SFN, 14,5% em títulos privados de dívida e 18,9% em títulos de dívida securitizados.
O crédito ampliado às empresas situou-se em R$7,2 trilhões em julho (54,4% do PIB), recuo de 0,3% no mês, refletindo as reduções nos saldos dos empréstimos externos (-2,5%) e dos empréstimos do SFN (-0,6%), apesar do crescimento nos títulos de dívida securitizados (3,0%). Em doze meses, a expansão de 7,1% foi impulsionada pelos crescimentos de 15,5% nos títulos de dívida e de 6,9% nos empréstimos do SFN.
O estoque total das operações de crédito do SFN somou R$7,4 trilhões em julho, elevação de 0,3% no mês, com recuo de 0,7% nas operações com pessoas jurídicas e expansão de 0,8% nas operações com pessoas físicas, que totalizaram R$2,7 trilhões e R$4,6 trilhões, na ordem. Em doze meses, o crédito total aumentou 9,5% (ante 9,7% nos doze meses até junho), com altas de 7,4% no crédito às empresas (8,0% no mês anterior) e de 10,8% às famílias (10,7% no mês anterior).
O estoque de crédito com recursos livres alcançou R$4,2 trilhões em julho, com diminuição de 0,1% no mês e aumento de 7,0% em doze meses. No crédito livre às pessoas jurídicas, o estoque recuou 1,9% no mês e aumentou 1,4% em doze meses, somando R$1,6 trilhão. Foram determinantes para esse desempenho os recuos nas operações de desconto de duplicatas e outros recebíveis, após avanço sazonal no mês anterior, e capital de giro com prazo superior a 365 dias. O crédito livre às pessoas físicas somou R$2,6 trilhões, com acréscimos de 1,0% no mês e de 10,8% em doze meses, sendo determinantes os incrementos das carteiras de cartão de crédito à vista, crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado, na qual se concentram as operações de “Crédito do Trabalhador”, e aquisição de veículos.
As concessões totais sazonalmente ajustadas mantiveram-se estáveis no mês, com diminuição de 0,3% nas operações com empresas e aumento de 0,3% nas operações com famílias. A taxa média de juros das concessões alcançou 32,1% a.a. em julho, com recuo de 1,2 p.p. no mês e avanço de 0,3 p.p. em doze meses. O spread bancário diminuiu 0,9 p.p. no mês em julho e aumentou 0,3 p.p. em doze meses, situando-se em 20,9 p.p.
A taxa média de juros das operações livremente pactuadas situou-se em 47,7% a.a., com redução de 2,0 p.p. no mês e aumento de 1,8 p.p. em doze meses. No crédito livre às pessoas jurídicas, a taxa média avançou 1,1 p.p. no mês e 0,4 p.p. em doze meses, atingindo 25,4% a.a. Prevaleceu o efeito da variação das taxas de juros (efeito taxa), com destaque para os aumentos das taxas médias de cartão de crédito rotativo (+84,3 p.p.), cujas taxas apresentam elevada volatilidade na série histórica, e de capital de giro com prazo superior a 365 dias (+2,0 p.p.).
No crédito livre às pessoas físicas, a taxa média de juros situou-se em 60,0% a.a., com redução de 3,9 p.p. no mês e aumento de 1,6 p.p. em doze meses, prevalecendo o efeito da variação das taxas (efeito taxa) em julho. Destacaram-se os recuos das taxas médias de crédito pessoal não consignado total (-16,1 p.p.) e de cartão de crédito total (-5,7 p.p.).
A inadimplência da carteira de crédito total do SFN situou-se em 4,9%, com elevações de 0,3 p.p. no mês e de 0,9 p.p. em doze meses. Nas operações com empresas e com famílias, a inadimplência aumentou 0,1 p.p. e 0,4 p.p. no mês, situando-se em 3,3% e 5,8%, respectivamente. Em doze meses, a inadimplência dessas carteiras aumentou 0,5 p.p. e 1,1 p.p., na mesma ordem.
No segmento de crédito com recursos livres, a inadimplência alcançou 6,4% do total da carteira, com aumentos de 0,4 p.p. no mês e de 0,9 p.p. em doze meses. Por segmento, a inadimplência das operações com pessoas jurídicas avançou 0,2 p.p. no mês e 0,5 p.p. em doze meses, situando-se em 4,2%, enquanto com pessoas físicas aumentou 0,4 p.p. no mês e 1,1 p.p. em doze meses, atingindo 7,8%.
O endividamento das famílias situou-se em 49,8% em junho, com estabilidade no mês e elevação de 1,0 p.p. em doze meses. O comprometimento de renda aumentou 0,4 p.p. em junho, na comparação com maio, e 1,7 p.p. em doze meses, situando-se em 28,9%.


