
O Consórcio Portos do Sul, vencedor da licitação do lote POA26 da área portuária de Porto Alegre, referente ao Cais Navegantes, pretende iniciar no ano que vem as melhorias concretas na área, disse Fábio Mota, diretor executivo do consórcio. Em maio, a Portos RS, administradora do local previu o início dos trabalhos de dois a três meses, mas, segundo Mota, este foi um prazo “não realista”.
Procurada para comentar a respeito do andamento do certame, a estatal informou que não irá se manifestar em razão das restrições pelo período eleitoral. “Estamos com prazos regulatórios em andamento, com a questão sendo resolvida em etapas. Esperamos concluir antes o processo antes disto”, disse Mota.
O leilão em si da área ocorreu em 26 de fevereiro deste ano, e a arrendatária, a partir da assinatura do contrato junto ao Ministério de Portos e Aeroportos, deverá instalar os equipamentos necessários para a operação do terminal, incluindo dois armazéns com área total de 14 mil metros quadrados, além de obras de pavimentação, drenagem, iluminação, distribuição elétrica e cercamento.
Por ora, o Consórcio Portos do Sul, formado pelas empresas Soluções Inteligentes Operadores Portuários Ltda. e Simetria Transportes e Armazéns Gerais Ltda., representado pela corretora Ativa Investimentos, é o chamado adjudicatário do Cais Navegantes, já com direito constituído, porém sem a assinatura formalizada.
“Já temos pessoas em campo fazendo medições e estamos em fase de encaminhamento do processo de licenciamento ambiental das obras, além dos projetos de engenharia. É um pouco mais burocrático do que as pessoas imaginam. Este projeto é de total interesse nosso, assim como também do ministério, da Portos RS e de todos os envolvidos”, salientou Mota. A movimentação anual estimada pode chegar a 917 mil toneladas caso o terminal opere exclusivamente com grãos e minerais.
Considerando o escoamento rodoviário, o potencial pode se aproximar de dois milhões de toneladas por ano, limitado pela capacidade de armazenagem estimada em 624 mil toneladas anuais. O leilão integrou o primeiro bloco de arrendamentos portuários de 2026 promovido pelo governo federal. Segundo o ministério, tanto o POA26, mais os terminais MCP01, em Santana, no Amapá, e NAT01, em Natal, no Rio Grande do Norte, também licitados na mesma data, devem gerar pouco mais de R$ 227 milhões em investimentos privados.
O POA26 já havia sido incluído em tentativas anteriores de leilão, mas foi retirado em parte em razão dos impactos das enchentes de 2024 e da ausência de propostas. Com outorga de R$ 10 mil, a proposta do Portos do Sul foi a única considerada válida para esta área portuária da Capital gaúcha
Fonte: Felipe Faleiro/Correio do Povo


