
O atual conflito no Oriente Médio iniciado no final de fevereiro, tem gerado volatilidade e incertezas nos mercados globais. No entanto, a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) emitiu nota garantindo que não há dados que indiquem impactos reais sobre o abastecimento no Brasil, no curto prazo. Mesmo num cenário hipotético de queda drástica de importações, a indústria química tem capacidade ociosa suficiente para suprir a demanda doméstica.
Segundo a associação, análises alarmistas e equivocadas recentemente veiculadas baseiam-se majoritariamente em projeções e preços pontuais (“spot”), enquanto o setor químico opera, em sua essência, com contratos de médio prazo e cláusulas de demanda firme. !Essa dinâmica estrutural reduz a transmissão imediata de oscilações e garante previsibilidade ao suprimento”, diz a Abiquim.
Não há insuficiência estrutural de produção no país. Pelo contrário: a indústria química brasileira opera com níveis críticos de ociosidade. Em 2025, a média alcançou 41%, o pior patamar em 30 anos. Em segmentos de intermediários para plásticos, esse índice chega a 45%. Temos ampla capacidade disponível na produção de resinas termoplásticas (incluindo PE, PP e PVC).
Historicamente, o Brasil importa entre 25% e 30% das resinas que consome — um padrão de equilíbrio comum em mercados globais. No entanto, entre 2024 e 2025, esse percentual saltou para cerca de 46%, configurando um surto predatório de importações que intensificou a ociosidade das fábricas nacionais. “É importante destacar que o aumento da presença de produtos estrangeiros não possui relação com o conflito no Oriente Médio. As importações brasileiras de resinas são originárias, em sua vasta maioria, das Américas (com destaque para os EUA), da China, de outros parceiros asiáticos e do Egito — regiões que não sofrem impactos logísticos ou operacionais diretos pelas hostilidades atuais”, diz a Abiquim
CAPACIDADE
O Brasil possui capacidade para produzir os mais diversos grades de PE, PP e PVC. Em casos específicos onde ocorre a importação de resinas de nicho, trata-se de uma decisão comercial dos transformadores (como homologações técnicas específicas ou estratégias de custo) e não de uma limitação técnica da indústria nacional. Importar nichos de baixa escala é uma prática de escolha empresarial, não uma falha produtiva do país.
Sobre as especulações de aumentos de preços, a Abiquim reitera que todo o setor produtivo mundial está sofrendo as pressões de aumento de custos decorrentes da elevação do preço do petróleo, assim sendo não se espera que essa situação tenha impactos em padrões de competitividade. Além disso, o conflito ainda não completou um mês e os dados disponíveis não permitem ainda identificar a extensão, em termos de abrangência e duração, de eventuais pressões sobre preços. Historicamente, em momentos de volatilidade global, não é o setor químico que se apropria de margens; muitas vezes, esse comportamento é observado em outros elos da cadeia de transformação.