
Começa a valer nesta semana, a partir de quarta-feira, 22, caso nada mude até lá, a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil. A decisão foi confirmada pela gestão de Donald Trump na semana passada. Agora, o governo federal ainda aguarda pela definição sobre mais uma taxa, de 12,5%. Dados divulgados na sexta-feira, 17, pela Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) detalham que, da média anual de US$ 38 bilhões em produtos enviados aos Estados Unidos pelo Brasil — com base em dados de 2025 —, a sobretaxa de 25% afetará cerca de US$ 7,2 bilhões (18,9%) em itens.
O principal impacto será sentido pelos estados de São Paulo (68% das exportações) e Santa Catarina (52%). Como tentativa de amenizar os efeitos sobre a competitividade internacional brasileira, a Apex anunciou que lançará, no início de agosto, um plano de R$ 130 milhões para diversificação de mercado. O objetivo da ação é ampliar os envios a outras nações parceiras do Brasil no comércio, como países da Ásia, da Europa e o Canadá. “Esse caminho não é novo e estava em andamento. Desde junho do ano passado, muitas empresas começaram a adotá-lo. Quem só exportava para os Estados Unidos, por exemplo, aumentou [os envios] para outro mercado”, afirma o presidente da agência, Laudemir Müller.
Entre os produtos com mais demanda do mercado estadunidense estão o mel — com 85% do usado nos EUA originado no Brasil; granito (36%); e madeira para construção (30%). Assim, empresas norte-americanas também devem ver prejuízos nos negócios a partir da medida adotada pelo governo do presidente Donald Trump. “Quando uma empresa brasileira é substituída por uma de outro país, é um grande dano”, completou Müller.
Mesmo com esse cenário, o país ainda está sob risco de mais uma taxação: a de 12,7% sobre itens com produção supostamente associada ao uso de trabalho forçado. Entre os 699 produtos que escaparam da cobrança de 25%, US$ 3,6 bilhões dessas exportações ainda podem ser afetados pela tarifa menor.
Em números:
- 106 itens ainda podem ser taxados em 12,5%.
- 593 itens acabaram livres de ambas as tarifas.
Inicialmente, 615 produtos ficariam isentos das cobranças. No entanto, esse total subiu para 699. A mudança, mais favorável para o comércio internacional entre os dois países, decorreu da insistência nas negociações por parte de representantes do Brasil, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores.
O governo brasileiro efetuou, segundo o Palácio Itamaraty, mais de 30 contatos presenciais, virtuais ou por telefone, em níveis técnico, ministerial e presidencial, desde o anúncio do primeiro tarifaço, em 2025. Só com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com Jamieson Greer, representante de Comércio do país norte-americano, ocorreram 11 contatos por iniciativa do Brasil — inclusive nos casos que envolveram as reuniões entre Lula e Trump.
Fontes do Itamaraty ouvidas pelo R7 contestaram as acusações e lembraram que o tarifaço começou com uma taxa de 10%, além de considerarem que ela subiu para 50% posteriormente por “expressa motivação política”. E, para evitar que a medida acabasse derrubada pela Justiça — como, de fato, ocorreu —, os Estados Unidos recorreram à Seção 301 da Lei de Comércio do próprio país.
(*) com R7


