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Com crítica a apoio a Flavio Bolsonaro, Hohlfeldt deixa o MDB

Hohlfeldt diz não reconhecer nenhum dos atuais dirigentes partidários – Foto: Fabiano do Amaral / CP

O ex-vice-governador Antonio Hohlfeldt pediu a desfiliação do MDB. Em um manifesto onde explica os motivos da saída, Hohlfeldt critica o apoio do MDB ao candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro. “Estou deixando o MDB, neste momento: não reconheço, com toda a humildade de um simples militante, nenhum dos atuais dirigentes partidários, quer em nível nacional, quer em nível regional, como donos do partido. Espero que o futuro imediato não nos obrigue a uma mobilização de resistência democrática ante eventuais ameaças ditatoriais. Mas, como alguém que viveu os anos de chumbo pós AI 5 de 1968, estarei à disposição. Compromisso com a democracia não tem idade, e embora, no momento, seja bem mais idoso do que há meio século, não me omitirei a me alinhar com os verdadeiros democratas”, diz trecho do documento.

Na eleição deste ano, ele foi o segundo suplente na chapa de Germano Rigotto ao Senado. Rigotto ficou em quinto lugar e declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

Veja a nota na íntegra:

Em 1982, fui eleito pela primeira vez como vereador da cidade de Porto Alegre, pelo então recém criado Partido dos Trabalhadores. Fui o único, naquela ocasião, a ser eleito pelo PT, abaixo de São Paulo. Mais adiante, por discordâncias de práticas político-eleitorais, adotadas pelo PT, deixei o partido e filiei-me ao recém constituído Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB. Nesta condição, continuei sendo eleito vereador da cidade, completando cinco mandatos, quando fui, então, eleito vice-governador do estado. Ao final do mandato do então Governador Germano Rigotto (MDB), que buscou concorrer à presidência da República, e depois à reeleição, enquanto governador do estado, filiei-me ao MDB, onde me encontrava até hoje. O MDB cumpriu um papel ímpar e histórico na construção da democracia no Brasil. Mas após a morte de Ulysses Guimarães, começou a se deteriorar, a exemplo de todos os demais partidos políticos brasileiros, infelizmente, pela falta de planejamento e de responsabilidade dos presidentes partidários, que não projetaram suas sucessões.

O processo sofrido, não exclusivamente pelo PMDB, redundou no seu inchaço, recebendo figuras de centro direita em sua composição, o que começou com o ingresso de José Sarney, até então integrante do partido da ditadura, a ARENA. Poder-se-ia justificar este movimento como necessário à consolidação da democracia no país. Mas as coisas foram piorando: o PMDB passou a omitir-se em lançar candidaturas nacionais para agregar-se a outras siglas, ora à direita, ora à esquerda, conforme os ventos eleitorais soprassem a cada momento.

A situação culminou com a adesão do MDB, em nível nacional, como também, ainda antes, em nível estadual, à candidatura do PL, com Flávio Bolsonaro. Aqui, não se trata de aderir a uma candidatura ou apenas a um projeto político-eleitoral. Trata-se de trair a democracia, de trair a cidadania nacional, e com isso não posso compactuar. Alguém comentou que o MDB se tornou uma sigla de segunda linha, auxiliar de outras agremiações. É pior que isso. A atual direção nacional e diferentes direções regionais rasgaram os documentos fundadores do MDB, viraram as costas para os seus compromissos com a democracia e aliaram-se a um conjunto de forças que se preparam para destruir os pilares básicos de nossa autonomia internacional, enquanto nacionalidade, e as nossas bases de identidade democrática, ao nível interno. O MDB, neste momento, está repetindo o processo vivido pela Alemanha, na década de 1930, que levaria ao nazismo, naquele país. NÃO QUERO E NÃO POSSO CALAR OU ME OMITIR. Fui apenas vereador de cinco mandatos e um de vice-governador, mas sou, acima de tudo, UM CIDADÃO BRASILEIRO. Não pretendo, num futuro que, infelizmente, pode ser muito imediato, se Flávio Bolsonaro vencer essas eleições, me sentir corresponsável por uma ditadura institucional a se instalar no país. NÃO DEPENDO DE PARTIDOS POLÍTICOS, NÃO DEPENDO DE NOMEAÇÕES PARA CARGOS PÚBLICOS, continuo apenas, mas com muito orgulho, UM PROFESSOR. E seria absolutamente irracional, um professor dar um mau exemplo.

Estou deixando o MDB, neste momento: não reconheço, com toda a humildade de um simples militante, NENHUM dos atuais dirigentes partidários, quer em nível nacional, quer em nível regional, como DONOS DO PARTIDO. Assim, estou cancelando minha filiação, o que está sendo comunicado ao TRE. Espero que o futuro imediato não nos obrigue a uma mobilização de resistência democrática ante eventuais ameaças ditatoriais. Mas, como alguém que viveu os anos de chumbo pós AI 5 de 1968, estarei à disposição. Compromisso com a democracia não tem idade, e embora, no momento, seja bem mais idoso do que há meio século, não me omitirei a me alinhar com os verdadeiros democratas.

Minha saudação aos corajosos companheiros dos diretórios municipais que igualmente se manifestaram contrários a esta malfadada traição da direção partidária, que decidiu sem consultar ninguém. Assim, o MDB, cada vez mais, se apequena, perde sua identidade e seu papel político-institucional no cenário brasileiro. Deixo o MDB para não trair a mim mesmo.

Fonte: Taline Oppitz / Correio do Povo

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