
Um levantamento da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, mostra que a pontualidade média de pagamento segue em patamar elevado entre as principais linhas de crédito acompanhadas pelo Cadastro Positivo, mas o cartão de crédito continua apresentando o menor índice entre as quatro modalidades analisadas no período. No primeiro trimestre de 2026, a modalidade registrou 77,6% de pontualidade, ante 81,7% no financiamento de veículos, 82,8% no empréstimo pessoal e 91,3% no crédito consignado.
Na comparação anual, a pontualidade do cartão de crédito recuou 0,5 ponto percentual, ante os 78,1% registrados no primeiro trimestre de 2025. Em relação ao mesmo período de 2024, quando o indicador estava em 80,9%, a diferença chega a 3,3 pontos percentuais, marcando o segundo recuo anual consecutivo nos primeiros três meses do ano. A abertura mensal confirma esse comportamento. Ao longo de janeiro, fevereiro e março, o cartão de crédito permaneceu com os menores índices de pontualidade durante todo o trimestre, em relação as demais modalidades. Já o empréstimo pessoal, o financiamento de veículos e o crédito consignado registraram oscilações mais moderadas e mantiveram patamares mais elevados.
A pontualidade é um indicador antecedente da inadimplência e costuma sinalizar as primeiras mudanças no comportamento financeiro das famílias. Embora o mercado de trabalho siga resiliente, o orçamento doméstico continua pressionado pelo elevado comprometimento da renda com despesas financeiras. Nesse contexto, o cartão de crédito tende a refletir esses movimentos de forma mais rápida por ser uma modalidade amplamente utilizada pelos consumidores”, explica Camila Abdelmalack, economista da Serasa Experian.
Pontualidade do cartão de crédito varia entre as faixas de renda
A análise por faixa de renda mostra que a capacidade de manter os compromissos financeiros em dia varia entre os diferentes perfis de consumidores. No primeiro trimestre de 2026, aqueles com renda de até um salário-mínimo registraram pontualidade de 67,3% no cartão de crédito. Entre os consumidores com renda acima de dez salários-mínimos, o índice alcançou 91,9%, uma diferença de 24,6 pontos percentuais.
“As diferenças observadas entre as faixas de renda mostram que o impacto do cenário econômico não ocorre de forma homogênea. Famílias com menor renda tendem a ter menos espaço no orçamento para absorver imprevistos ou aumentos nas despesas, o que reduz a capacidade de manter os pagamentos em dia. Já entre os consumidores de maior renda, há, em geral, maior folga financeira para administrar oscilações no orçamento e honrar os compromissos assumidos”, explica Camila Abdelmalack, economista da Serasa Experian.
O comportamento observado no resultado nacional também se repetiu regionalmente. Em todas as regiões do país, o cartão de crédito registrou a menor pontualidade entre as modalidades analisadas no primeiro trimestre de 2026. O indicador variou de 72,4% na Região Norte a 78,9% no Sudeste, enquanto o crédito consignado manteve índices superiores a 90% em todas as regiões.

