
Com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, para 14%, coloca o país com o maior juro real do mundo (9,30%), descontada a inflação. Conforme relatório da plataforma MoneYou, a segunda posição do ranking ficou com a Rússia, que registrou uma taxa real de 9,09%. A Colômbia apareceu na terceira posição, com juros reais de 6,16%. o Já a Argentina, que passou por uma crise econômica ficou na 5ª posição, com juro real de 4,51%.
Considerando os juros nominais (sem descontar a inflação projetada), a taxa brasileira ocupou a terceira posição, ao lado da Rússia. A liderança é da Turquia, com 37%, seguida da Argentina (29%). Além de Gabriel Galípolo, presidente do BC, votaram os diretores: Nilton David (política monetária), Ailton de Aquino Santos (fiscalização), Izabela Correa (relacionamento institucional, cidadania e supervisão de conduta), Diogo Abry Guillen (política econômica), Gilneu Vivan (regulação); Paulo Picchetti (assuntos internacionais e gestão de riscos corporativos), Renato Dias de Brito Gomes (organização do sistema financeiro) e Rodrigo Alves Teixeira (administração).
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) considera apropriada a decisão. Porém, alerta que a construção de um país capaz de conviver com juros estruturalmente menores depende de avanços na agenda fiscal. “A continuidade da redução da taxa Selic é uma decisão positiva e chega em um momento importante para a economia brasileira. A indústria gaúcha convive com um ambiente de crédito ainda restritivo, elevado endividamento de famílias e empresas e uma demanda doméstica que segue insuficiente para impulsionar a recuperação mais consistente da atividade”, diz o presidente da FIERGS, Claudio Bier.
Bier reforça que “o equilíbrio das contas públicas é uma das pautas prioritárias do Sistema FIERGS, por entendermos que responsabilidade fiscal, segurança jurídica e previsibilidade são condições indispensáveis para ampliar a competitividade da indústria e estimular o crescimento sustentável da economia”.
EXPECTATIVAS
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus vêm melhorando. Embora a projeção para o IPCA de 2026 seja de alta de 5,03%, as perspectivas para o índice em 2027 e 2028 continuam dentro do intervalo de tolerância da meta. Ao mesmo tempo, a inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%). Esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses.
“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.
Para o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, desde a última reunião do Comitê, houve melhora em grande parte dos condicionantes que norteiam a definição da taxa Selic e, ainda que persistam a desancoragem das expectativas de inflação, especialmente para os horizontes de prazo mais longo, e a elevada instabilidade do cenário internacional, a redução da taxa de juros é bem-vinda e representa algum alívio para empresas e famílias. “No entanto, continuamos aprisionados em um modelo que consolida taxas de juros estruturalmente elevadas. Enquanto não houver um ajuste fiscal relevante pelo lado das despesas, o país permanecerá sujeito a juros altos e aos seus efeitos sobre a economia”, diz


